Opinião
Seis meses de Governo
O Governo perfaz hoje seis meses. Tempo curto para ser definitivo, mas o suficiente para se perceber o propósito e o estilo.
O Governo perfaz hoje seis meses. Tempo curto para ser definitivo, mas o suficiente para se perceber o propósito e o estilo.
Paradoxalmente, é um governo de maioria absoluta com poderes relativos. Muito condicionado pela situação herdada e pelo programa exigido pelos credores.
A coligação funciona bem. Com coesão e discrição. Por aí, creio que não adicionaremos problemas aos que urge enfrentar.
O contraste com "Sócrates e Cª no país das maravilhas" é saudável. Falar verdade não resolve os males, mas é uma condição necessária para os vencer.
Não sendo a austeridade um fim em si mesmo, os próximos seis meses serão determinantes para dar esperança aos portugueses e para reformar o Estado. Para exprimir o princípio da subsidiariedade como a via certa para conjugar liberdade com responsabilidade e para contrariar formas ínvias de intervencionismo e asfixia. E para responder à necessidade de haver "mais Sociedade, melhor Sociedade" como a via mais estável para haver "menos Estado, melhor Estado".
Neste âmbito, estou especialmente esperançoso nas decisivas reformas nas áreas da Justiça, da Educação, da concorrência, do arrendamento e das políticas sociais.
Se o Executivo tem pontos fortes, não foge à regra de ter elos frágeis. Creio não ter sido boa ideia a criação de mega-ministérios que demoram a arrancar. E há que não esquecer que a governação não é apenas uma métrica de milhões, mas se fundamenta na centralidade das pessoas como sujeitos da acção política.
Nota final: o PS, que esteve na origem e que celebrou o acordo com a "troika", tem dado, ultimamente, sinais de desatino como se a austeridade fosse um capricho do Governo. E nem sequer me refiro a rocambolescas declarações sobre não pagar a dívida "coisa de criança" ou "de marimbar" .
Economista e ex-ministro das Finanças em governo PSD/CDS
Assina esta coluna semanalmente à quarta-feira
Paradoxalmente, é um governo de maioria absoluta com poderes relativos. Muito condicionado pela situação herdada e pelo programa exigido pelos credores.
O contraste com "Sócrates e Cª no país das maravilhas" é saudável. Falar verdade não resolve os males, mas é uma condição necessária para os vencer.
Não sendo a austeridade um fim em si mesmo, os próximos seis meses serão determinantes para dar esperança aos portugueses e para reformar o Estado. Para exprimir o princípio da subsidiariedade como a via certa para conjugar liberdade com responsabilidade e para contrariar formas ínvias de intervencionismo e asfixia. E para responder à necessidade de haver "mais Sociedade, melhor Sociedade" como a via mais estável para haver "menos Estado, melhor Estado".
Neste âmbito, estou especialmente esperançoso nas decisivas reformas nas áreas da Justiça, da Educação, da concorrência, do arrendamento e das políticas sociais.
Se o Executivo tem pontos fortes, não foge à regra de ter elos frágeis. Creio não ter sido boa ideia a criação de mega-ministérios que demoram a arrancar. E há que não esquecer que a governação não é apenas uma métrica de milhões, mas se fundamenta na centralidade das pessoas como sujeitos da acção política.
Nota final: o PS, que esteve na origem e que celebrou o acordo com a "troika", tem dado, ultimamente, sinais de desatino como se a austeridade fosse um capricho do Governo. E nem sequer me refiro a rocambolescas declarações sobre não pagar a dívida "coisa de criança" ou "de marimbar" .
Economista e ex-ministro das Finanças em governo PSD/CDS
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