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20 de Setembro de 2013 às 00:01

O silêncio da troika

A troika aterrou na segunda-feira em Lisboa, com vento de norte e os juros da dívida portuguesa a ultrapassarem os 7%. É uma troika nova, com dois novos técnicos: o irlandês John Berrigan (CE) e Subir Lall (FMI) – Subir é nome, não é alcunha. Infelizmente, para nós, o FMI foi buscar o único indiano que acha que não há vacas sagradas.

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A troika aterrou na segunda-feira em Lisboa, com vento de norte e os juros da dívida portuguesa a ultrapassarem os 7%. É uma troika nova, com dois novos técnicos: o irlandês John Berrigan (CE) e Subir Lall (FMI) – Subir é nome, não é alcunha. Infelizmente, para nós, o FMI foi buscar o único indiano que acha que não há vacas sagradas.

Os parceiros sociais, que estiveram reunidos com a troika, dizem que os credores internacionais mantiveram-se em silêncio durante toda a audiência e não responderam a nenhuma das perguntas. Justificaram-se dizendo que não se podem pronunciar porque "estão de chegada". – Não falo enquanto não comer um pastel de Belém – terá dito um deles. O principal problema é mesmo esse. Ao contrário do prometido, eles não estão de partida.

Segundo António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal, "os dois novos responsáveis vieram com uma lição estudada de manter silêncio" e aguentam olhos nos olhos sem piscar durante doze minutos. Têm "uma postura de robot", disse Arménio Carlos. Até parece que têm uma cassete – terá acrescentado o líder da CGTP.

Vi as imagens do encontro e acho que os cobradores do fraque da troika estão com ar de: "meus amigos, até o Costa Concordia já regressou aos mercados". Subir Lal respondeu a todas as respostas com um: "Nom compriendo espanol". E o John Berrigan estava a pensar: "não percebo o que eles dizem, mas estes tipos parecem gregos."


Também é possível que a troika se mantenha calada, porque é a única forma de manter o bom senso que o Presidente da República pediu. Parecendo que não, nunca um Presidente da República tinha feito um pedido a um funcionário de categoria D do FMI e da Comissão Europeia. Eles até telefonaram aos filhos a contar que não estavam em casa porque um Presidente da República lhes tinha pedido coisas. Foi uma emoção superior àquela que tiveram quando a Lagarde lhes enviou um postal de Natal. Mas o mais provável é a troika não saber o que fazer e estar a ganhar tempo. Estamos em semana de eleições alemãs e o que fazia sentido era ser feriado em toda a Europa.


Os "robots" enviados pela troika parecem estar a patinar ligeiramente, mas não se deixem enganar. As ordens que têm são claras: eles são o exterminador e nós somos a Sarah Connor. Não adianta tentar falar com um Arnold Schwarzenegger de metal. Ele não é sensível à raça humana. Só vê números e gráficos.


Só há uma forma de o parar: dar-lhe novas instruções. Se alguém conseguir instalar-lhes a informação que o FMI esta semana está a defender - limite de velocidade à austeridade - quem sabe eles não largam as pensões e vão instalar radares no conselho de ministros. Ou, quem sabe, vão convencer os juízes do TC a usarem a farda da Brigada de Trânsito.


Na minha modesta opinião, nós já não estamos em condição de pedir. Ou exigimos, ou não vale a pena. Eles estão cá há dois anos, já não fazemos cerimónia. Seja como for, para quê pedir para flexibilizar o défice (de 4%), se nós não o vamos conseguir atingir? A flexibilização vai acontecer de forma natural...

 

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