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Lua vai "tapar" 90% da luz do Sol. Eclipse "rouba" a Portugal 23% da energia produzida
De acordo com a REN, o fenómeno provocará uma perda de geração de 560 MW, o que representa cerca de 8,5% do consumo e 23% da produção do Sistema Elétrico Nacional. Para mitigar o impacto, será necessário alocar reservas adicionais com geração hídrica (barragens) e/ou térmica (centrais a gás natural).
Na manhã deste sábado, 29 de março, a Lua irá passar "à frente" do Sol durante cerca de quatro horas, criando um eclipse solar parcial que vai ser possível ver em partes do Hemisfério Norte, Portugal incluído. Durante o evento, os três astros - Sol, Lua e Terra - estarão alinhados, com a Lua a tapar 90% da luz emitida pelo Sol. O eclipse vai estender-se desde o leste do Canadá até ao norte da Rússia e poderá ser visível na maior parte da Europa e em algumas zonas do nordeste da América do Norte e noroeste de África.
Até aqui nada de problemático, não fosse o facto de o sistema elétrico nacional estar cada vez mais dependente das fontes de energia renováveis, entre as quais a solar fotovoltaica. Por causa disso, a REN – Redes Energéticas Nacionais, em colaboração com os restantes operadores de redes de transporte do setor elétrico europeus, tem estado a preparar o país para os efeitos do eclipse solar.
De acordo com a REN, o fenómeno ocorrerá no território continental entre as 9h30 e as 11h30 e provocará uma perda de geração estimada de 560 MW, o que representa cerca de 8,5% do consumo e 23% da produção do Sistema Elétrico Nacional previsto para este horário. Ao nível da área europeia, estima-se uma perda de produção com valores aproximados a 21.000 MW.
"Durante o eclipse, estima-se uma perda de 10 MW por minuto e uma recuperação à taxa de 22 MW por minuto, o que causará desafios operacionais relacionados com o equilíbrio entre geração e o consumo no SEN e com controlo do desvio na interligação com Espanha. Para mitigar os impactes da perda de geração associada a este eclipse, será necessário alocar reservas adicionais com geração hídrica e/ou térmica", explicou a REN em comunicado.
"Este efeito está também a ser estimado pela REN e devidamente previsto nas previsões de consumo para esse dia, de modo a reduzir e mitigar, em tempo real, os efeitos inesperados", acrescenta a empresa.
"Nos últimos meses, Portugal tem mantido uma trajetória sustentável na progressiva incorporação de fontes renováveis endógenas, apoiado por sucessivos recordes na produção de energias renováveis, enquanto mantém os objetivos primordiais de segurança de abastecimento e de qualidade de serviço no SEN, mesmo nestas situações mais adversas e desafiantes", remata a REN. Recentemente, durante a depressão Martinho, Portugal registou máximos históricos na produção de enrgia eólica.