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Taxa das renováveis: “O Governo não tinha consciência do desastre?” questiona Ferreira Leite
A aplicação de uma taxa às renováveis, como propõe o Bloco e o PS chegou a aceitar, seria um “desastre” para o futuro do país, afirma Ferreira Leite, que condena o que considera ser uma “leviandade” do Executivo e dos bloquistas.
A proposta do Bloco de Esquerda de aumentar os impostos nas energias renováveis com a aplicação da taxa do sector eléctrico teria consequências negativas que poderiam "tornar-se muito mais prejudiciais no futuro", defende Manuela Ferreira Leite. No seu comentário semanal na TSF, a ex-ministra das Finanças condena "a leviandade com que se utiliza o sistema fiscal para resolver questões, que por mais justas que sejam, não são nunca resolúveis através do lançamento de impostos."
A aplicação da taxa às renováveis, recorde-se, esteve em cima da mesa nas negociações para o Orçamento do Estado para 2018. O Bloco apresentou uma proposta que num primeiro momento foi votada favoravelmente pelo PS, tendo os deputados socialistas optado entretanto por voltar atrás e travar o processo.
Ferreira Leite sublinha o facto de estarem em causa investimentos muito elevados, no longo prazo, cujo retorno não é imediato, e admite que exista um excesso de pagamento aos investidores. No entanto, na sua opinião, o problema não se resolve com aumentos de impostos.
E entende que "é especialmente grave aumentar os impostos porque praticamente todos os investidores são estrangeiros", o que pode implicar indemnizações milionárias e até retracção do investimento no país. "Então o governo não tinha consciência do desastre que estava a preparar para o futuro do país?", questiona.