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Programa da AD vai insistir em novo corte de taxas de IRS e descida de IRC para 15%
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças do Governo ainda em gestão, promete uma redução em IRS "ambiciosa" e focada na classe média. Mesmo perante muita incerteza internacional.
O programa eleitoral que PSD e CDS-PP querem levar a eleições, a 18 de maio, vai insitir nas reduções fiscais e dar prioridade a descidas de IRS focadas na classe média, além de insistir também na descida da taxa normal de IRC para 15%, tal como propunha há um ano a Aliança Democrática (AD).
"À data de hoje, não temos um (valor de impacto) fechado. Mas é seguramente uma redução de IRS ambiciosa ao longo dos quatro anos, muito focada na classe média, que continua a ter uma carga de imposto sobre os seus rendimentos do trabalho muito significativa", revela em entrevista ao Negócios e Antena 1 no programa Conversa Capital, num momento em que o programa eleitoral da AD está a ser atualizado, em "continuidade" e com intenção de manter as reduções fiscais como "trave mestra", segundo aquele que tem sido o coordenador do programa económico da AD.
A nova descida do IRS prometida, diz, "implica reduzir as taxas dos escalões", "com exceção do último escalão, que provavelmente continuará com a taxa de 48%", ao mesmo tempo que a AD pretende revisitar os planos iniciais de IRS Jovem, mas sem compromisso para já com mudanças no regime. "O nosso objetivo é que a redução de IRS seja para a esmagadora maioria dos portugueses e muito focada na classe média", diz Miranda Sarmento.
Já no IRC, será retomado o plano apresentado às anteriores eleições. "Queremos reduzir a taxa de IRC para os 15%, que era o nosso objetivo no programa há um ano. Reduzimos de 21% para 20%, foi possível neste contexto parlamentar. Mas mantemos o objetivo de reduzir para 15%, para que, somando as outras duas taxas que existem no IRC, derrama estadual e municipal, Portugal baixe de um valor que era há um ano 31,5%, que é hoje 30,5%, para um valor na casa dos 25%. Portugal tem hoje ainda a segunda taxa marginal mais elevada da OCDE", diz.
As promessas de novas reduções fiscais terão como pressuposto um cenário macroeconómico e orçamental atualizado."Até porque tem mais um ano. A legislatura, se não for interrompida, durará até outubro de 2029", diz Miranda Sarmento, sem adiantar se vê perspetivas agora mais ou menos favoráveis. As previsões do atual Governo para o saldo são de 0,3% do PIB em 2025 e 0,1% do PIB em 2026. O responsável e candidato que lidera a lista da AD pelo círculo eleitoral de Lisboa admite contudo a necessidade de agir "com cautela, com cuidado, com ponderação, até porque as incertezas internacionais são muitas, (para que) se continue a baixar impostos".
Já quanto a novas subidas no ISP, imposto que ainda mantém em vigor medidas temporárias de apoio que têm sido alvo de reparo por parte da Comissão Europeia, Miranda Sarmento afirma que "não é uma matéria que neste momento esteja em cima da mesa". "Temos dito a Bruxelas que a incerteza internacional também se reflete nos preços, neste caso nos preços do petróleo. Será algo que teremos que analisar a cada momento, sem uma decisão tomada nesse sentido".