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Marcelo diz que não tenciona escrever as memórias da sua Presidência

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou na sexta-feira, em Braga, que não tenciona escrever as memórias do seu mandato, porque o que tiver a dizer di-lo-á enquanto estiver no cargo.

Enquanto nos bastidores, Domingues, Centeno, Costa e Marcelo mantinham conversas sobre a entrega de declaração no TC, a lei aprovada em Conselho de Ministros a 8 de Junho era analisada em Belém. No dia 21, Marcelo promulga a alteração ao EGP e nove dias depois faz um comunicado a anunciar a decisão e a justificá-la. O comunicado centra-se apenas na excepção para os salários e omite a discussão tida em privado sobre a publicitação do património.
Lusa 18 de Fevereiro de 2017 às 10:38

"Não tenciono escrever a memórias do meu mandato, o que eu tiver a dizer digo durante o mandato", referiu Marcelo, durante uma conferência sobre "Os Católicos e a Democracia - Um Testemunho", promovida pela Arquidiocese de Braga.

 

A revelação de Marcelo surgiu depois de um elemento da plateia lhe ter perguntado se gostava de ser recordado como "o Presidente católico", "o Presidente optimista", "o Presidente dos afectos" ou "o Presidente da gerigonça".

 

O Presidente disse que não o preocupa "minimamente" a forma como os portugueses o vão recordar, contrapondo que o que o preocupa "é cumprir em consciência" aquilo que acha que deve fazer.

 

Na quinta-feira, o anterior Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, lançou um livro de memórias sobre os seus mandatos, um exemplo que Marcelo promete não seguir.

 

Num tom bem humorado, Marcelo disse que se tratava "do pior dia" para falar do assunto, questionando mesmo como poderia dizer "de uma forma elegante" que não escreveria as memórias do seu tempo enquanto Presidente.

 

"Admito que seja um erro meu, porque muito boa gente fez o contrário e isso foi importante para a construção da história dos países. Se não houvesse essas memórias, a história não seria escrita de forma tão rica", acentuou.

 

Para Marcelo, mais importante do que a forma como será lembrado é trabalhar para mudar a vida das pessoas. Admitiu que uns podem considerar que o seu mandato foi "um intervalo na História de Portugal", mas contrapôs que "se tiver mudado a vida nem que seja de uma pessoa, ou de duas, três, ou quatro", já considerará isso "relevante". "Não estamos aqui para ficar na história", sublinhou.

 

Sobre o eventual epíteto de "Presidente da gerigonça", Marcelo disse, no mesmo registo bem humorado, que nunca utiliza essa expressão, preferindo aludir à "fórmula governativa existente". No entanto, disse que o eleitorado é que decide quem governa o país.

 

"O Presidente da República o que pode fazer? Bater no eleitorado? Dizer ‘venham cá, levam uma sova porque deviam mudar’? As pessoas são adultas, para cada um votar em consciência", referiu.

Quanto a ser eventualmente recordado com o Presidente "bonzinho, que tirava selfies e que dava beijinhos", Marcelo alegou que essa é uma faceta que lhe está no sangue. "Já dava beijinhos antes de ser Presidente", atirou, dizendo que trata os portugueses como trata a sua família e "culpando" os pais por o terem "contaminado" com o seu feitio beijoqueiro.

 

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