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Alemanha faz acordo com Qatar para fugir à dependência russa

Os dois países concordaram formar uma parceria energética de longo prazo.

Os preços do gás natural ainda têm um forte potencial de subida este ano. A queda dos inventários, o frio e a forte procura são grandes “triggers”.
Osman Orsal/Reuters
20 de Março de 2022 às 15:01
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A Alemanha e o Qatar concordaram este domingo, 20 de março, em formar uma parceria energética a longo prazo, que o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, disse ser um passo para diminuir a dependência do gás russo.

O acordo foi anunciado por Habeck após um encontro com o Emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, em Doha.

Habeck disse que o apoio do Emir do Qatar foi maior do que o esperado. "O dia ganhou ímpeto", comentou, citado pela agência espanhola Europa Press.

Habeck explicou que as empresas que o acompanham na visita a países do Golfo irão agora negociar os termos dos contratos com o lado do Qatar, mas não deu pormenores sobre os montantes acordados.

O ministro alemão disse que a parceria acordada em Doha inclui não só o fornecimento de gás natural liquefeito, de que o Qatar é um dos maiores exportadores mundiais, mas também a expansão das energias renováveis e medidas de eficiência energética.

A Alemanha planeia construir terminais de gás natural liquefeito para diversificar as suas fontes de energia e tornar-se menos dependente da Rússia, um objetivo que ganhou ímpeto com a guerra na Ucrânia.

De acordo com o Ministério da Economia alemão, a Rússia é responsável por cerca de 55% das importações de gás da Alemanha.

A Rússia também fornece à Alemanha metade das suas necessidades de carvão e cerca de 55% de petróleo.

O novo Governo alemão, que integra sociais-democratas, Verdes e liberais, suspendeu o gasoduto Nord Stream 2, que transportaria gás russo diretamente para a Alemanha, no âmbito das sanções contra a Rússia por ter invadido a Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Desde então, Robert Habeck, dos Verdes, tem procurado outros fornecedores, sendo o Qatar uma das alternativas, a que se segue uma visita aos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Antes de partir para o Qatar no sábado, Habeck sublinhou a preocupação do Governo com o fornecimento de energia na Alemanha no próximo inverno.

"Se não recebermos mais gás no próximo inverno e as entregas da Rússia forem limitadas ou interrompidas, não teremos o suficiente para manter todas as casas aquecidas e a nossa indústria a funcionar", disse à rádio Deutschlandfunk.

Habeck considerou que a melhor forma de a Alemanha conseguir diminuir rapidamente a dependência da Rússia será através de uma aliança internacional.

Nesse sentido, considerou que os parceiros no Qatar e nos EAU são "de importância central", segundo a agência a agência espanhola EFE.

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