Notícia
Como a greve geral está a afectar o país (act)
A primeira greve geral desde 1988 está a provocar a paralisação de muitos serviços e empresas em Portugal. Confira os números conhecidos até aqui, que permitem concluir que no sector público a adesão está muito superior ao verificado no privado, onde os níveis de adesão são reduzidos.
24 de Novembro de 2010 às 20:27
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Esta notícia vai ser actualizada do longo do dia de hoje.
de adesão
A ministra do Trabalho e da Solidariedade Social, Helena André, afirmou hoje que a adesão à greve geral é "muito reduzida", tendo em conta os dados disponíveis até ao momento.
A adesão dos trabalhadores à greve geral na Administração Pública ronda os 28,56%, de acordo com a informação divulgada direcção-geral da Administração e do emprego público.
O secretário geral da UGT, João Proença, disse que a greve geral de hoje é a maior de sempre e ultrapassa a adesão registada há 22 anos, aquando da última greve geral conjunta.
Já o líder da CGTP, Carvalho da Silva, disse, por volta das 17h, que apesar de ainda não terem os números finais da adesão à greve “estiveram envolvidos mais de 3 milhões de trabalhadores portugueses”.
A adesão dos trabalhadores portugueses à greve de hoje representa a derrota do "conformismo, da resignação e do 'não vale a pena'", afirmou hoje o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, afirmou hoje na Autoeuropa, em Palmela, que a greve geral é um "enorme sucesso" com consequências políticas, mostrando a José Sócrates e a Pedro Passos Coelho que não representam o país.
O secretário de Estado da Administração Pública manifestou hoje o desejo de que a greve geral decorra com "civismo e no espírito da lei", reiterando ainda que os serviços mínimos em diversos sectores públicos estão a funcionar com normalidade.
O único deputado do Bloco de Esquerda na Madeira, Roberto Almada, envergou hoje, no início da sessão parlamentar madeirense, uma t-shirt de cor preta, com os dizeres "BE apoia greve geral".
Um piquete de greve da CGTP e o secretário-geral da central sindical, Carvalho da Silva, assinalaram hoje, no aeroporto de Lisboa, o início da greve geral contra "políticas que provocam desemprego, pobreza e regressão da economia".
Transportes
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A CP não conseguiu assegurar os serviços mínimos no dia da greve geral, afirmou à agência Lusa uma fonte oficial da empresa ferroviária portuguesa. Entre as 00h00 e as 18h00 de hoje, segundo uma porta-voz da empresa, "o programa regular da CP teria sido de 1.199 comboios a nível nacional. Foram realizados 167, todos de serviços mínimos. Mesmo assim, a CP teria que assegurar mais 31 para cumprir o que foi decretado" em termos de serviço mínimo para o dia de greve.
A transportadora aérea açoriana SATA informou que a adesão à greve geral rondou os 20% nas várias empresas da transportadora aérea açoriana.
Todos os voos da ANA Aeroportos de Portugal, em Lisboa, Porto, Faro e Açores, foram até agora cancelados devido à greve geral de hoje.
Funcionários que não aderiram à greve e passageiros desprevenidos eram hoje as poucas pessoas que frequentavam o aeroporto de Lisboa, onde a maioria dos voos foi cancelada devido à greve geral.
O Metro de Lisboa tem as estações encerradas "por motivos de segurança" . O Metro de Lisboa "já não circula hoje", afirmou à Agência Lusa uma fonte oficial da empresa. O nível de adesão à greve situou-se nos 65%, afectando sectores da empresa que impossibilitaram a circulação e obrigaram à paralisação durante todo o dia, segundo a mesma fonte.
Já a Refer revelou que, durante a tarde, "todos os serviços mínimos foram assegurados". Durante a tarde, houve "um de dois" comboios que registou atraso" na Linha do Oeste e cinco comboios foram suprimidos, sendo quatro suburbanos de Lisboa e um regional da Linha do Douro, adiantou um porta-voz da Refer.
Já a Fertagus, o operador privado da travessia ferroviária do Tejo, "regista normalidade total, ou com alterações residuais, uma vez que a greve teve muito menos impacto na empresa", afirmou à Lusa a mesma fonte oficial da Refer.
A adesão à greve no subconcessionário de operação da Metro do Porto, ViaPorto, é de 90% nos agentes de condução e de 10% nas restantes funções, disse fonte da empresa.
As ligações fluviais entre Lisboa e a margem sul estão afectadas em 85%, nos barcos da Trantejo, e 84% nas travessias da Soflusa, onde fonte oficial da empresa referiu que não foram cumpridos os serviços mínimos.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário afirma que pelas 08h30 a adesão nas empresas do sector era "superior a 90%", o que demonstra "desde já o êxito da greve geral".
Entre as 00h00 e as 08h00 de hoje foram suprimidos 74,2% dos comboios normalmente previstos pela CP, na sua maioria em grandes centros urbanos.
A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) destacou hoje de manhã a "grande adesão" no sector dos transportes à greve geral.
O serviço da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) está hoje a ser afetado por uma adesão à greve na ordem dos 80%, de acordo com o sindicato mais representativo dos trabalhadores. A empresa diz que a adesão dos motoristas é de 63%.
A Carris tinha, pelas 06h15 de hoje, cerca de 40% dos serviços de transporte programados em funcionamento, adiantou à agência Lusa fonte oficial da empresa. Às 8h00 de hoje, a empresa tinha garantido 30% da oferta de serviços, segundo a Carris.
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No banco do Estado, "a esmagadora maioria das agências não abriram" reclama o Sindicato, que aponta para uma adesão à greve de 80% na Caixa Geral de Depósitos.
A Caixa Geral de Depósitos informa também que no contexto da Greve Geral realizada hoje em Portugal, “mantém 75% das Agências em Lisboa abertas, e 55% na totalidade do País”.
Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), com cerca de 760 trabalhadores, estão hoje com a produção "completamente parada", devido a uma adesão à greve superior a 90%, informou fonte sindical.
A União dos Sindicatos de Lisboa acusou hoje a Polícia de agressões ao piquete de greve dos trabalhadores dos CTT em Cabo Ruivo, situação negada pela PSP que diz estar no local para garantir que quem quer trabalhar o faça.
Serviços públicos
Segundo o sindicato da administração fiscal, a adesão à greve entre os trabalhadores do fisco era, ao meio-dia, de 72%, o que resultou no encerramento de 80% dos serviços de repartições de Finanças.
A adesão à greve de hoje por parte dos magistrados do Ministério Público situava-se, às 12:00, nos 87%, avançando o sindicato que "muitos" tribunais estão encerrados e os restantes com serviços mínimos.
A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública anunciou hoje, em comunicado, que a adesão à greve geral está a ser "significativa" na administração pública central.
O Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais alertou hoje em comunicado para aquilo que considera serem violações do direito à greve em cinco corporações do país, que está a ter uma adesão média de 88% no sector.
O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) disse hoje que "os objectivos foram atingidos" na greve geral, com taxas de adesão entre 40%, na Universidade de Coimbra, e 95%, numa escola do Instituto Politécnico de Lisboa.
A greve geral de hoje encerrou 32% das escolas públicas, sendo a taxa de adesão à paralisação de 23% nos professores e de 38% no pessoal não docente, informou o Ministério da Educação. Os dados até, por volta das 17h, revelam que, pelo menos, 179 estabelecimentos de ensino
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A adesão dos professores à greve geral de hoje é a maior de sempre numa paralisação não sectorial, assegura o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, sublinhando que há "cidades inteiras sem aulas.
A adesão dos enfermeiros à greve geral de hoje é, a nível nacional, de 75% no turno entre as 08:00 e as 16:00, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.
A recolha de lixo em território nacional está praticamente paralisada desde a meia noite, momento em que se iniciou a greve geral de 24 horas decretada pelas duas centrais sindicais.
A maioria das Câmaras de todo o país têm hoje os seus serviços encerrados devido à greve geral, uma paralisação que em alguns casos não reúne consenso nos números apresentados pelos sindicatos e autarquias.
A adesão à greve geral dos trabalhadores da Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL) atingiu os 28%, tendo os serviços funcionado dentro da normalidade, revelou hoje a empresa.
Escolas fechadas, serviços de atendimento ao público das autarquias encerrados, lixo por recolher, transportes aéreos e marítimos entre as ilhas condicionados e hospitais com serviços mínimos são alguns dos efeitos mais visíveis da greve geral nos Açores.
O responsável pela UGT na Madeira revelou hoje que a adesão à greve na região atingiu os 50%, um número que, apesar de inferior à média nacional, "é a melhor e mais expressiva" de sempre neste arquipélago.
Empresas privadas
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No sector do calçado a adesão à greve geral foi de 2,3% disse hoje à Lusa fonte oficial da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, de Componentes e Artigos de Pele (APICCAPS). Os dados referem-se ao meio-dia, mas os responsáveis dizem que durante a tarde não se verificaram alterações.
As adesões à greve geral na indústria portuguesa não ultrapassam os 4%, com excepção dos trabalhadores dos portos, de acordo com dados da CIP, a que a agência Lusa teve acesso.
O presidente da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), Ricardo Pedrosa Gomes, disse à Lusa não ter qualquer indicação de adesões à greve "nas poucas obras em curso".
A adesão à greve geral nos trabalhadores das indústrias metalúrgicas e metalomecânicas ficou hoje em 1,23%, disse à Lusa a associação representativa do setor, enquanto o sindicato dos metalúrgicos do Norte estima adesões bem mais altas.
O sindicato dos operários Corticeiros do Norte adiantou hoje que a adesão à greve no distrito de Aveiro, onde a indústria transformadora do sector predomina, está a ser reduzida porque os trabalhadores não querer perder um dia de salário.
O director-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), Paulo Vaz, disse hoje à Lusa que a adesão à greve geral no sector é de 1,56%, "em linha com o esperado".
A greve geral não teve impacto nas pequenas e médias empresas portuguesas, que estão a trabalhar ao ritmo habitual, disseram à Lusa vários empresários.
As entidades bancárias que operam em Portugal registaram um impacto mínimo ou quase nulo da greve geral, com todas, à exceção da Caixa Geral de Depósitos, a afirmarem que os balcões abriram e que todos os departamentos funcionam com normalidade.
Dependências bancárias e supermercados visitados hoje pela Lusa registam uma afluência normal e, no caso dos bancos, toda a equipa veio trabalhar e o número de clientes foi "o de um dia normal", apesar da greve geral.
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O sector do comércio e serviços não teve qualquer registo de adesão à greve geral, disse à Lusa fonte da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).
Cerca de 70% dos inspectores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) aderiram à greve geral, segundo dados da associação sindical que os representa.
Diversos grupos de media em Portugal afirmam que o dia de trabalho de hoje tem sido normal, enquanto o Sindicato dos Jornalistas destaca a adesão à greve geral dos trabalhadores da agência Lusa e da RTP. Cofina, Controlinveste, Impresa e Grupo Lena foram alguns dos grupos que, contactados pela Lusa, sublinharam notar hoje poucas alterações ao ritmo de trabalho por comparação com um dia normal. O Sindicato dos Jornalistas, por seu turno, fez até meio da tarde uma "avaliação positiva" da greve geral, destacando a expressão "bastante significativa" na agência Lusa e o "grande significado da luta" na RTP.
Incidentes
Um maquinista da CP ficou hoje ferido depois do comboio, em serviço mínimo de greve, ter sido atingido por várias pedras alegadamente lançadas à saída de um túnel no Marco de Canaveses, confirmou à Lusa fonte sindical.
A União dos Sindicatos de Lisboa acusou hoje a Polícia de agressões ao piquete de greve dos trabalhadores dos CTT em Cabo Ruivo, situação negada pela PSP que diz estar no local para garantir que quem quer trabalhar o faça.