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Atenas admite referendar manutenção no euro se negociações com UE falharem

Yanis Varoufakis, ministro das Finanças grego, diz que se Bruxelas não aceitar o plano proposto pela Grécia "poderiam existir problemas". E, antes da reunião do Eurogrupo, ameaça com um referendo sobre a manutenção do país no euro.

Reuters
08 de Março de 2015 às 14:46
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Atenas admite a realização de um referendo sobre o euro se a Grécia não alcançar um acordo com os parceiros da União Europeia (UE) que ajude o país a sair da crise e a estimular o crescimento.

     

Em declarações ao diário italiano Il Corriere della Sera, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, explica que se Bruxelas não aceitar o plano proposto pela Grécia "poderiam existir problemas".

 

"Como já tinha dito o primeiro-ministro (grego, Alexis Tsipras), não estamos colados aos assentos. Podemos realizar de novo eleições. Podemos convocar um referendo sobre o euro", Varoukafis.

 

O titular das Finanças recusa a possibilidade de que o Governo grego venha a pedir um novo empréstimo aos parceiros europeus porque, defende, o que os gregos querem é que a UE e a Grécia alcancem um acordo que lhe permita "crescer e terminar com a crise humanitária" que sofre.

 

Neste sentido, o ministro insiste que o Executivo está a trabalhar para propor a Bruxelas um plano que denomina "contrato para o crescimento" baseado num "foco fiscal razoável".

 

Este "contrato" deverá estar fundamentado, segundo Varoufakis, em três pilares, designadamente, "um excedente do Orçamento revisto, uma reestruturação inteligente da dívida e um plano de grandes investimentos".

 

Em relação à reestruturação "inteligente" da dívida, uma opção que o Eurogrupo não contempla, Atenas considera essencial "aumentar os prazos de vencimento dos pagamentos e uma diminuição das taxas de juro".

 

"O que é isto senão uma reestruturação? A alternativa que propomos não tem como objectivo de que outros países paguem a nossa dívida, mas mais, propomos remunerar mais os empréstimos", adiantou.

 

Isto consegue-se, adianta Varoufakis, com "a substituição dos títulos da dívida atuais por outros vinculados ao crescimento nominal", ou seja, "se o país cresce, paga uma taxa de juro mais alta, se não cresce, paga menos".

 

Em relação ao excedente do Orçamento revisto, o ministro comenta que estará associado ao investimento, já que "quanto maior seja o investimento, mais excedente haverá".

 

E para que isto ocorra, o ministro sublinha que é essencial o papel que deve desempenhar o Banco Europeu de Investimento (BEI), que defende que deveria potenciar "para que os investidores ajudem a desenvolver bons projectos".

 

Finalmente, Varoufakis dirige duas críticas contra a Europa, em primeiro lugar, lamenta que nos últimos anos "se tenha posto todo o peso nas costas das classes mais pobres" e posteriormente condena o eterno debate sobre se a Grécia sairá ou não da zona euro.

 

"Quem investirá na Grécia se se fala continuamente de 'Grexit' (jogo de palavras entre Grécia e "exit" em inglês que significa saída). "Falar sobre 'Grexit' é venenoso", conclui o ministro grego.

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