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Crédito para a casa cresce há 13 meses, mas número de devedores volta a diminuir
Apesar da garantia pública que levou a um aumento da procura por parte de jovens até aos 35 anos, o total de pessoas em Portugal com crédito à habitação mantém uma tendência de queda desde julho de 2022.
O "stock" de crédito para a casa aumentou em janeiro pelo 13.º mês consecutivo. Segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal, em janeiro, o montante total de empréstimos a particulares cresceu 4,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior e os empréstimos para habitação subiu 415 milhões de euros relativamente a dezembro, totalizando 102,8 mil milhões de euros.
No o mês em que entrarem em vigor novos incentivos à compra da primeira casa por jovens - além da isenção do pagamento de IMT, do imposto do selo e de emolumentos que transitou do ano passado, desde o início do ano que cidadãos até aos 35 anos têm também ao dispor uma garantia pública que facilita o financiamento a 100% - o crescimento do crédito para a habitação foi de 4,1%, face ao mesmo mês no ano anterior, mantendo a trajetória de aceleração há 13 meses consecutivos.
Contudo, o número de pessoas que tem empréstimo ainda não inverteu. "Relativamente ao número de devedores de crédito à habitação, no final de janeiro, estes totalizavam 1,96 milhões, continuando a tendência de descida que se verifica desde julho de 2022", diz o Banco de Portugal.
No que diz respeito ao crédito ao consumo e outros fins, houve um aumento de 6 milhões de euros relativamente a dezembro, para 30,4 mil milhões de euros. "O crescimento em relação ao período homólogo foi de 6,8%, o valor mais elevado desde outubro de 2018", indica o BdP. O crescimento da finalidade consumo desacelerou ligeiramente, apresentando uma taxa de variação anual de 7,3% (contra 7,5% em dezembro). Já os empréstimos para outros fins voltaram a registar o maior crescimento anual desde julho de 2008 (5,8%).
No final de janeiro, o "stock" de empréstimos para crédito pessoal totalizava 12,6 mil milhões de euros, menos 11 milhões do que em dezembro, correspondendo a um crescimento de 7,3% relativamente ao mês homólogo. O crédito automóvel fixou-se em 8,4 mil milhões de euros, mais 26 milhões de euros do que em dezembro, e apresentou uma taxa de variação anual de 10,1%, a mais elevada desde abril de 2020. Por último, os cartões de crédito mantiveram-se em 3,2 mil milhões de euros e registaram uma taxa de variação anual de 8,0% (8,7% em dezembro).
Os empréstimos concedidos pelos bancos às empresas totalizavam 72,8 mil milhões de euros no final de janeiro, mais 281 milhões do que no final de dezembro. O crescimento relativamente ao período homólogo foi de 1,3%. As microempresas e as grandes empresas mantiveram taxas de variação anual positivas (7,3%, e 2,8% respetivamente), enquanto as pequenas e médias empresas continuaram a registar taxas negativas (-0,6% e -4,8%, respetivamente).
Por setor de atividade, o setor das indústrias e eletricidade e o setor do comércio, transportes e alojamento apresentaram, em janeiro, taxas de variação anual negativas, de -0,6% e -0,2%, respetivamente (-1,3% e -1,6% em dezembro). Pelo contrário, no setor da construção e atividades imobiliárias, a taxa de variação anual foi positiva: 6,0% (5,5% em dezembro).
(Notícia atualizada às 11:35)