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Credores da Inapa Portugal aceitam oferta de Carlos Martins
A maioria dos credores da distribuidora de papel aprovou a única proposta de compra dos ativos da empresa. Segue-se, ainda hoje, a viabilização da Inapa – Comunicação Visual, e no final da semana a da Inapa Packaging. O empresário oferece 600 mil euros pelos três negócios.
Quatro credores ainda irão votar por escrito, no prazo de 10 dias, mas os que se expressaram em assembleia de credores, realizada esta terça-feira, 1 de abril, garantiram já a maioria necessária para a aprovação da venda dos ativos da Inapa Portugal à Black and Blue Investimentos, "holding" familiar de Carlos Martins.
O fundador e "chairman" da Martifer oferece 600 mil euros pelos ativos da Inapa Portugal (distribuição de papel) e da Inapa – Comunicação Visual (venda de máquinas para impressão gráfica, consumíveis e assistência técnica), ambas sediadas em Sintra, a que acresce 100% do capital da Inapa Packaging, Lda., que tem uma unidade de enchimento e customização de embalagens em Matosinhos.
Como os credores são comuns, tudo aponta para que a venda da Comunicação Visual e da Packaging a Carlos Martins seja também viabilizada. A assembleia de credores da primeira empresa está marcada para a tarde desta terça-feira, devendo a comissão de credores da Inapa IPG (a insolvente casa-mãe) pronunciar-se na próxima sexta-feira sobre a única oferta que tem para a sua participada Inapa Packaging.
Tal como o Negócios avançou esta segunda-feira, a proposta da Black and Blue Investimentos abrange os três negócios, oferecendo 390 mil pelos ativos da Inapa Portugal e 80 mil pelos da Inapa – Comunicação Visual, e 130 mil euros pela Inapa Packaging , sendo que todas elas operam em instalações arrendadas, com Carlos Martins a garantir a continuidade dos seus 87 trabalhadores, dos quais 50 laboram na Inapa Portugal.
Já na adenda ao seu relatório, o administrador de insolvência da Inapa Portugal considerava que "a única forma de acautelar o valor do estabelecimento e garantir a proteção do nível de emprego passe por se ver aceite a presente proposta", a qual permitirá, logo à cabeça, "manter o emprego, assegurando que os credores com créditos efetivos incrementem o valor da recuperação dos respetivos créditos", lembrando Bruno Costa Pereira que "os créditos laborais de natureza condicional não verão verificada a respetiva condição".
De resto, deduzidos os custos da massa falida da Inapa Portugal, sobrarão poucos milhares de euros para distribuir pelos credores da empresa, que reclamam neste processo 37,7 milhões de euros, com o Novo Banco e a CGD à cabeça do pelotão, com 9,6 milhões e 8,8 milhões de euros, respetivamente. Mesmo enxugada a lista, nomeadamente de garantias cruzadas, a dívida direta ronda os 19 milhões de euros.
A faturação desta empresa recuou de 34 milhões de euros em 2023 para 21 milhões no ano passado, enquanto a da Inapa – Comunicação Visual baixou de 1,8 milhões para 1,3 milhões de euros. Já a Inapa Packaging, onde os credores não subordinados reclamam 1,3 milhões de euros, faturou 6,2 milhões de euros no último exercício, menos 1,1 milhões face ao precedente.
(Notícia atualizada às 12:21)