Notícia
Cada europeu compra média de 19 kg de roupa e gera 16 kg de resíduos têxteis por ano
Estudo da Agência Europeia do Ambiente indica que, em 2022, só 15% dos resíduos têxteis dos lares foram recolhidos separadamente. A 1 de janeiro entrou em vigor diretiva europeia que a impõe e que se espera que faça aumentar significativamente essa taxa.
Os europeus estão a comprar e a descartar roupa, calçado e outros têxteis mais do que nunca, revela um relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA, na sigla em inglês) que insta decisores políticos, indústria e consumidores a desempenharem o seu papel para ajudar a União Europeia a afastar-se da tendência do "fast fashion" e a apostar na produção de tecido de maior qualidade e mais duradouros, concebidos para durarem mais tempo e para serem reutilizados, reparados e reciclados.
À luz do estudo, denominado "Circularidade da cadeia de valor dos têxteis da UE em números", o cidadão europeu médio comprou 19 quilogramas (kg) de roupa, calçado ou têxteis para o lar em 2022, ou seja, mais 2kg do que os 17 kg estimados em 2019 - e que, para se ter uma ideia visual, seriam suficientes para encher uma mala grande por pessoa todos os anos. Em concreto: dos 19kg, 8 kg diziam respeito a peças de vestuário, 7 kg consistiam em têxteis para o lar e 4 kg correspondiam a calçado.
E essa "moda" tem uma série de impactos, decorrentes da utilização de de materiais, da água e do solo, por via da produção de emissões de gases com efeito de estufa ou de químicos e microplásticos, indica a EEA, apontando que, de um universo de 12 categorias de consumo nos lares europeus (como alimentação, transportes, saúde ou educação), o de têxteis figuram, em média, como a quinta maior em termos da pressão que exerce sobre o ambiente e o clima.
Em 2022, os Estados-membros da UE geraram aproximadamente 6,94 milhões de toneladas de resíduos têxteis, o que resulta em sensivelmente 16 kg por pessoa, uma quantidade que se tem mantido relativamente estável desde 2016, segundo a análise da EEA.
Se bem que a média de recolha de resíduos têxteis na UE tem vindo a aumentar lentamente, subindo 4,3 pontos percentuais desde 2016, em termos globais, a taxa permanece baixa. Em 2022, 85% dos resíduos têxteis dos lares europeus não foram recolhidos separadamente e, em vez disso, acabaram misturados com o lixo doméstico, seguindo para aterros ou para incineração, não podendo, por isso, ser reutilizados ou reciclados.
Ora, neste campo, com a entrada em vigor, desde 1 de janeiro de 2025, de uma diretiva europeia que obriga à recolha seletiva de resíduos têxteis, a EEA diz ser de esperar que a taxa de cresça significativamente.
Segundo os dados compilados pela EEA, a quantidade e a quota de resíduos têxteis enviados para aterro na Europa diminuiu - de 21% em 2010 para 12% e, 2022 -, mas o volume encaminhado para incineração aumentou de 10% para 14%.
Desde 2000, a exportação de têxteis usados quase triplicou, de pouco mais de 550 mil toneladas em 2000 para 1,4 milhões em 2019. E, desde então, refere a agência, o volume tem permanecido relativamente constante, com 1,4 milhões de toneladas enviadas para o exterior em 2023.
Embora as exportações de têxteis usados da UE tenham como objetivo a reutilização ou a reciclagem, a EEA aponta que há estudos que demonstram que os artigos entram num circuito muito complexo, desde a triagem, com parte a terminarem queimados ou despejados na natureza sobretudo em países africanos e asiáticos.