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Louçã: Detenção de Sócrates "terá certamente uma grande influência no país"

O ex-coordenador bloquista, Francisco Louçã, recusou hoje fazer juízos "precipitados" sobre a detenção do ex-primeiro ministro José Sócrates, defendendo que o sistema judiciário precisa de mais meios para combater a corrupção ou o branqueamento de capitais.

Miguel Baltazar
22 de Novembro de 2014 às 15:50
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"Fiquei certamente surpreendido mas não tenho nenhum elemento que me permita neste momento formular uma opinião, é certamente um caso muito grave, sobre o seu fundamento não faço a mínima ideia, terá certamente uma grande influência no país, porque há hoje um estado de incerteza de atitude normal nestas circunstâncias", afirmou Louçã.

 

O comentador político e antigo líder do BE falava aos jornalistas à entrada para a IX Convenção Nacional do partido, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

 

O dirigente bloquista admitiu que este caso "terá um efeito no país inteiro", mas ressalvou que preciso "a mesma prudência que é precisa sempre" e conhecer "qual é a posição da Justiça e qual é a posição de José Sócrates".

 

"Só há casos julgados quando eles terminam e quando há prova efectiva para qualquer pessoa e em qualquer circunstância, quanto às questões políticas elas são de outra natureza, só as veremos depois", sustentou.

 

Louçã considerou ainda que Portugal precisa de uma justiça "mais bem preparada" e com "mais meios" para combater "processos de extrema complexidade" como "o branqueamento de capitais, a corrupção e criminalidade dos bancos".

 

"Não tenho nenhuma dúvida que não há hoje recursos suficientes para acompanhar e preparar estes processos", referiu.

 

O antigo deputado do BE afirmou que "em geral, quando se interroga uma pessoa, e muito mais quando se vai deter uma pessoa, não se deve perder tempo".

 

Neste contexto, Francisco Louçã defendeu que os tribunais só deveriam poder ter pessoas "à sua guarda durante 48 horas" e depois ser obrigatória a formulação de uma acusação.

 

"Em Portugal há sempre um processo um pouco estranho que é deter para interrogar, acho que a Justiça deve fazer todo o seu procedimento da forma mais cautelar mas tem de chegar a conclusões, eu gostava que houvesse processos que fossem muito bem preparados, muito rápidos, que pudessem demorar uns meses e não se arrastar por anos", disse.

 

"Eu não estou a falar de José Sócrates, vale o José, como vale a Maria, vale o Francisco, como valem todos vocês", acrescentou.

 

O ex-primeiro-ministro José Sócrates foi detido na sexta-feira à noite, quando chegava ao aeroporto de Lisboa, no âmbito de um processo de suspeitas de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

 

Esta é a primeira vez na história da democracia que um antigo primeiro-ministro é detido para interrogatório.

 

Às primeiras horas de sábado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou, em comunicado, a detenção de quatro pessoas, entre elas Sócrates, depois de a notícia ter sido avançada pelas edições "on-line" do Sol e Correio da Manhã.

 

No processo, segundo a PGR, estão a ser investigadas operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível.

 

O inquérito está a ser desenvolvido no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e foram feitas buscas em vários locais, envolvendo quatro magistrados do Ministério Público e 60 elementos da autoridade Tributária e Aduaneira e da PSP.

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