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Centeno não vê razão para pausa nos cortes de juros do BCE em abril

Em entrevista, o governador do Banco de Portugal disse não haver motivos para o banco central suspender as descidas de taxas, mas o aumento da incerteza pode levar a um abrandamento ou aceleração das reduções.   

Miguel Baltazar
26 de Março de 2025 às 18:03
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Apesar da incerteza económica e comercial decorrente das políticas dos EUA, Mário Centeno não vê motivos para que o Banco Central Europeu (BCE) faça uma pausa nas taxas de juro em abril, disse o governador do Banco de Portugal em entrevista à Econostream Media. O também membro do conselho de governadores do BCE refere que "as mais recentes previsões não nos dizem para fazer uma pausa em abril", acrescentando que "podemos necessitar de novas projeções para pausar".

"Tendo em conta a fragilidade da economia e a estimativa de onde a taxa neutral deve estar, podemos esperar mais cortes. A incerteza aumentou, significando que podemos ter de abrandar, mas também de acelerar", assinala Centeno, referindo-se à política comercial dos EUA.

"As tarifas são impostos", avisa o governador, e "serão negativas para a economia", tendo "efeitos múltiplos nos preços". Tudo depende da "extensão da retaliação" em relação às tarifas anunciadas pela administração Trump sobre vários países, incluindo da Zona Euro.

"O impacto das novas políticas dos EUA e a subida da incerteza revelaram-se mais rapidamente que o esperado", refere. Contudo, em relação às taxas de juro, Centeno não vê motivos para o BCE se desviar do rumo traçado.

Centeno refere que as políticas terão impacto no crescimento e nos preços, uma vez que são "dois lados da mesma moeda". Mas o responsável não vê que a Europa entre num processo de estagflação - fraco crescimento e inflação elevada - e pensa que a subida dos preços nos EUA será "temporária e não permanente". "Não vejo razão para nos desviarmos do rumo", refere.

Na última reunião de política monetária, realizada no início de março, o BCE decidiu cortar as taxas de juro pela sexta vez consecutiva, colocando a taxa de depósitos em 2,5%. Contudo, a presidente do banco central, Christine Lagarde, não garantiu um novo corte em abril, salientando o aumento da instabilidade devido ao novo contexto económico global.

"Não nos vamos comprometer previamente com uma trajetória [para as taxas de juro]. A opinião coletiva é que não nos comprometemos previamente. Estamos mais dependentes dos dados do que nunca", sublinhou Lagarde na conferência de imprensa após o encontro.

Apesar de a responsável ter assinalado o progresso da desinflação e que política monetária está a tornar-se menos restritiva, Lagarde tornou claro que as decisões de taxas serão tomadas reunião a reunião devido à crescente volatilidade. "Há riscos e incertezas em todo o lado", sublinhou Lagarde.

"A incerteza aumentou. Podemos ter de acelerar, mas também abrandar" os cortes de taxas. Mário Centeno
Governador do Banco de Portugal     
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