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Exército sírio anuncia fim do cessar-fogo
Os Estados Unidos estão a ser acusados pelo regime de Assad de terem boicotado o cessar-fogo negociado há uma semana com a intermediação de Washington e Moscovo.
O Exército sírio anunciou nesta segunda-feira, 19 de Setembro, o fim dos sete dias de cessar-fogo no país, sugerindo que está indisponível para prolongar as tréguas negociadas com a intermediação da Rússia e dos Estados Unidos. Numa declaração citada pela Reuters, o Exército diz que, nesta última semana, o pacto de não-agressão foi violado 300 vezes por "grupos terroristas", termo que o governo sírio utiliza para se referir a todos os movimentos que contestam o regime do presidente Bashar al-Assad (na foto), e acrescenta que "continuará a desempenhar as suas obrigações, combatendo o terrorismo com o objectivo de restabelecer a segurança e a estabilidade".
Neste domingo, o presidente sírio acusou a coligação liderada pelos Estados Unidos de ter combatido contra as suas forças no leste do país, protagonizando uma "flagrante agressão norte-americana". Após um encontro com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hossein Jaberi Ansari, Assad acusou as potências mundiais de apoiarem "organizações terroristas" na Síria, como o grupo extremista Estado Islâmico (EI).
"Cada vez que o Estado sírio obtém progressos no terreno, ou no sentido da reconciliação no país, os Estados anti-Síria aumentam o apoio a organizações terroristas", de acordo com declarações de Assad publicadas pela agência noticiosa estatal síria SANA. "O último exemplo disto é a flagrante agressão norte-americana contra um das posições do exército sírio em Deir Ezzor, que beneficiou o EI" no sábado, acrescentou, usando o acrónimo árabe Daesh. "Forças anti-Síria estão a gastar toda a sua energia e capacidades para prolongar a guerra terrorista contra a Síria", disse ainda.
Também as autoridades russas afirmaram que os ataques aéreos foram perpetrados pela coligação liderada pelos Estados Unidos.
Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, aeronaves não identificadas lançaram mísseis sobre áreas controladas pelos rebeldes em Aleppo.
Pelo menos 62 soldados sírios foram mortos no ataque. O Pentágono admitiu que pilotos norte-americanos possam ter atingido forças governamentais sírias, mas adiantou que acreditavam tratar-se de posições do Estado Islâmico.