Notícia
Consumidores e empresários da UE mais confiantes apesar da ameaça de tarifas
Subida no sentimento económico da UE resultou de uma melhoria sobretudo da confiança dos consumidores em fevereiro. Avanço verificou-se em algumas das maiores economias da UE, como Alemanha e França. Em Portugal, o indicador caiu.
Apesar do fraco crescimento económico e da ameaça dos Estados Unidos em avançar com a imposição de tarifas sobre produtos comercializados pela União Europeia (UE) já em março, a confiança dos consumidores e dos empresários europeus aumentou em fevereiro, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela direção-geral dos assuntos económicos (DG ECFIN) da Comissão Europeia.
O indicador de sentimento económico, que junta a confiança dos consumidores e dos vários setores empresariais, aumentou 1,1 pontos na UE, para 97,1 pontos. Essa subida resultou de uma melhoria sobretudo da confiança dos consumidores, que estão menos pessimistas em relação à situação económica geral nos seus países e tencionam fazer grandes compras nos próximos meses.
No caso das empresas, a confiança aumentou ligeiramente nos quatro grandes setores de atividade, com exceção da construção. A indústria transformadora foi o setor onde se verificou o maior aumento na confiança dos empresários (1,4 pontos), com todas as grandes componentes a melhorarem: expectativas de produção, avaliação do nível atual das carteiras de encomendas e perceção sobre stocks de produtos acabados.
No caso do comércio e dos serviços, os indicadores de confiança mantiveram-se quase inalterados. Nos serviços, as expectativas de agravamento da procura por parte dos gestores foram compensadas por uma avaliação mais positiva da procura no passado. Já no comércio, as expectativas de negócio dos retalhistas para os próximos três meses pioraram moderadamente, sendo quase compensadas por uma melhoria nas avaliações dos stocks.
Na construção, a confiança dos empresários caiu um ponto, com as expectativas de emprego e as avaliações da carteira de encomendas a piorarem. Os construtores apontam para explicações para esse maior pessimismo a escassez de mão de obra, apesar de reconhecerem algumas melhorias no que toca à procura, restrições financeiras e à escassez de materiais e equipamentos.
Essa melhoria do sentimento económico verificou-se em algumas das maiores economias da UE, com o indicador a aumentar significativamente na Polónia (+3,4), bem como na França (+2,3), Alemanha (+1,2) e Países Baixos (+0,8). Em sentido contrário, Itália (-0,4) e Espanha (-2,0) registaram uma queda no sentimento económico, assim como Portugal, com o indicador a recuar de 107,1 para 103,9 pontos.
No conjunto da Zona Euro, o indicador de sentimento económico também melhorou, passando de 95,3 para 96,3 pontos. Este é o segundo mês consecutivo de melhoria nesse indicador.
Em relação ao mercado de trabalho, o indicador de expectativas de emprego (IEE) diminuiu tanto na UE como na Zona Euro: -1,2 pontos para 98,1 na Zona Euro e -1,5 pontos para 97 na UE. A Comissão Europeia dá conta, no entanto, que "ambos os indicadores obtêm uma pontuação abaixo da sua média de longo prazo de 100".