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Europa pinta-se de vermelho com aproximação do "Dia da Libertação"
Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados desta segunda-feira.
Europa pinta-se de vermelho com aproximação do "Dia de Libertação"
As bolsas europeias voltaram a fechar no vermelho - é a quarta sessão consecutiva -, numa altura em que os investidores fogem cada vez mais ao risco, receando o impacto da já longa lista de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. A aproximação da entrada em vigor das chamadas tarifas recíprocas, esta quarta-feira, está a agudizar as preocupações do mercado.
Juntamente a esta onda de tarifas, que o Presidente norte-americano disse aplicarem-se a "todos os países", devem avançar as de 25% sobre todos os automóveis produzidos fora dos EUA. A esta vaga de taxas aduaneiras recíprocas, marcadas no calendário para 2 de abril, Donald Trump chamou o "Dia da Libertação".
O índice Stoxx 600 - de referência para a Europa – cedeu 1,51%, para os 533,92 pontos.
Com exceção do setor do gás e petróleo, que fechou com uma ligeira valorização de 0,06%, todos outros setores europeus fecharam a sessão no vermelho, com o dos recursos naturais a registar a maior perda (3,29%), acompanhando do das viagens, do automóvel e da construção.
Entre os maiores movimentos de mercado destaca-se a Associated British Foods, que caiu 1,6% depois de o CEO da Primark, Paul Marchant, se ter demitido após uma investigação interna a alegações de "comportamento inadequado" com uma funcionária da retalhista.
"No atual cenário político, a ameaça de tarifas nunca está longe. O mais recente anúncio de uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis importados para os EUA é apenas a última medida de uma guerra comercial crescente que poderá ter um efeito significativo nas maiores empresas da Europa", disse à Bloomberg Thomas Watts, analista sénior de investimentos da Aberdeen MPS.
"Por muito que os investidores possam querer, é pouco provável que isto ponha fim à incerteza tarifária", disse à Reuters Jason Draho, diretor de alocação de ativos para as Américas da UBS Global Wealth Management, referindo-se às taxas de 2 de abril. "É provável que a incerteza e a volatilidade do mercado se mantenham elevadas a curto prazo, uma vez que os investidores recalibraram as suas perspetivas", acrescentou.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax caiu 1,33%, o francês CAC-40 cedeu 1,58%, o espanhol IBEX 35 desvalorizou 1,31%, o italiano FTSEMIB perdeu 1,77% e o holandês AEX recuou 0,95%. O britânico FTSE 100 perdeu 0,88%.
Juros das dívidas soberanas europeias registaram agravamentos em toda a linha
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro agravaram-se em toda a linha esta segunda-feira, num dia em que os principais índices europeus fecharam em terreno negativo.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravaram-se em 1,7 pontos base, para 3,251%. Em Espanha a "yield" da dívida com o mesmo vencimento subiu 1,2 pontos, para 3,370%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa cresceu 2,1 pontos base para 3,450%. Já os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, agravaram-se em 1 ponto, para 2,735% .
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, seguiram a tendência inversa e cederam 2,4 pontos base para 4,673%.
Clima de incerteza continua a dar ganhos ao iene
O iene, considerado um ativo refúgio, segue a ganhar terreno face ao dólar esta segunda-feira, com a incerteza em torno das tarifas norte-americanas a pesar sobre as perspetivas de inflação e crescimento económico dos EUA e a afastar os investidores de ativos de risco.
Face à divisa nipónica, a "nota verde" desvaloriza 0,11% para os 149,670 ienes.
A esperada entrada em vigor de novas tarifas dos EUA sobre os seus parceiros comerciais esta semana, não parece trazer fim à incerteza que tem assombrado os mercados ultimamente. "Penso que apenas uma coisa pode ser dita com certeza: a incerteza não terminará com o anúncio das tarifas recíprocas por Trump no dia 2 de abril", afirmou à Reuters Jane Foley, diretora de estratégia cambial do Rabobank.
Ainda assim, o índice de dólar da Bloomberg – que mede a força do dólar face às principais rivais – sobe 0,24% para os 104,295 pontos.
Num dia em que se soube que a inflação na Alemanha abrandou para 2,3% em março em termos homólogos, abaixo dos 2,4% esperado pelos economistas, segundo os dados divulgados esta segunda-feira pelo gabinete nacional de estatística germânico, o euro perde 0,18% para os 1,081 dólares.
A provável implementação de tarifas aos 27 pelos EUA significa que a Europa terá de assumir um melhor controlo de seu futuro, disse a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, esta segunda-feira.
Já a libra desce 0,21% para os 1,291 dólares.
Ouro segue em alta à boleia de incerteza com tarifas
Os preços do ouro continuam a avançar esta segunda-feira, depois de o metal amarelo ter atingido máximos históricos que colocam a onça a negociar acima dos 3.100 dólares pela primeira vez.
O ouro valoriza a esta hora 1,20%, para os 3.122,060 dólares por onça.
O metal amarelo continua impulsionado pela incerteza em torno das tarifas norte-americanas que deverão entrar em vigor esta semana. O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que iria aplicar tarifas de 25% sobre as importações de automóveis pelos EUA, enquanto os "traders" também se preparam para a entrada em vigor das hchamadas tarifas recíprocas a 2 de abril.
O ouro já subiu quase 19% desde o início do ano, altura em que já atingiu, pelo menos, quinze máximos históricos. A recuperação do ouro tem sido impulsionada por um aumento da procura enquanto ativo refúgio, entre crescentes incertezas geopolíticas e macroeconómicas.
Petróleo negoceia em alta depois de pressão dos EUA sobre Rússia e Irão
O petróleo negoceia em alta esta tarde, depois de o Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ter sugerido que os EUA poderão vir a impor "tarifas secundárias" sobre as exportações de petróleo da Rússia, um dos principais produtores mundiais de crude.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os Estados Unidos (EUA) – ganha 2,31% para os 70,96 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 1,36% para os 74,63 dólares por barril.
Este domingo, Trump disse estar "Irritado" com o presidente russo, Vladimir Putin, e que iria impor "tarifas secundárias" de 25% a 50% aos compradores de petróleo russo, se sentir que Moscovo está a dificultar os esforços dos EUA para acabar com a guerra na Ucrânia.
Qualquer tentativa de punir Putin poderá ter um efeito abrangente no mercado do crude, com a Índia e a China - que se tornaram os principais compradores de "ouro negro" da Rússia desde a invasão da Ucrânia - a poderem ser os mais impactados, caso estas "tarifas secundárias" avancem.
Para além disso, Trump disse ainda que está a considerar punir Teerão com "tarifas secundárias" não especificadas e ameaçou bombardear o Irão, caso o país não assine um acordo em que renuncie às armas nucleares.
"A ameaça (de Trump) de tarifas secundárias sobre o petróleo russo e iraniano é um fator que os ‘traders’ no mercado petrolífero estão a seguir, embora ele tenha indicado que não está a planear introduzi-las por enquanto", disse à Reuters o analista do UBS Giovanni Staunovo. Ainda assim o especialista avisa que "há um risco crescente de maiores riscos de fornecimento no futuro".
Wall Street negoceia com fortes perdas. Tarifas pressionam em semana decisiva
Os principais índices norte-americanos negoceiam com perdas esta segunda-feira. As tarifas norte-americanas, que deverão entrar em vigor esta semana - recíprocas e sobre as importações de automóveis -, pressionam o sentimento dos investidores e aumentam as preocupações quanto ao impacto das barreiras ao comércio na inflação e crescimento económico dos Estados Unidos (EUA).
O S&P 500 cai 1,32% para os 5.507,12 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perde 2,28% para 16.928,67 pontos. Já o Dow Jones desvaloriza 0,73% para 41.282,28 pontos.
No primeiro trimestre do ano, que chega hoje ao fim, o S&P 500 já caiu 5,1%. A queda marca o pior desempenho trimestral do índice de referência norte-americano desde 2022.
Uma série de tarifas previamente anunciadas pela Administração Trump entrará em vigor na quarta-feira, incluindo uma taxa de 25% sobre "todos os carros que não são fabricados nos Estados Unidos". Espera-se também que o Presidente dos EUA anuncie o seu plano de tarifas recíprocos destinados aos países que impõem taxas sobre as importações dos EUA.
"O que está em causa é a incerteza tarifária", explicou à Bloomberg Mohit Kumar, estratega da Jefferies. "O cenário negativo para o mercado seria que o dia 2 de abril marcasse apenas o ponto de partida das negociações e que tivéssemos um período alargado de negociações em que não houvesse muita clareza sobre a estrutura tarifária", acrescentou o especialista.
Dependendo da escala do que for anunciado, a Bloomberg Economics prevê um impacto das tarifas de 4% no PIB dos EUA ao longo de um período de dois a três anos, juntamente com um aumento de 2,5% nos preços.
Entre os movimentos de mercado, companhias aéreas como a Delta Airlines e a American Airlines Group cedem mais de 4%, depois de a Virgin Atlantic Airways ter alertado para a diminuição das vendas de bilhetes nos voos a partir dos EUA, num sinal de que os consumidores americanos estão a ficar mais cautelosos em relação às viagens ao estrangeiro.
Quanto às "big tech", a Alphabet perde 1,01%, a Nvidia tomba 4,19%, a Amazon cai 3,23%, a Microsoft desliza 2,49%, a Meta regista perdas de 2,90% e a Apple cede 0,24%.
Euribor sobe a três meses e desce a seis e a 12 meses
A Euribor subiu hoje a três meses e desceu a seis e a 12 meses face a sexta-feira, no prazo mais longo para um novo mínimo desde setembro de 2022.
Em termos mensais, a média da Euribor em março voltou a descer a três, a seis e a 12 meses, mas menos intensamente que nos meses anteriores.
Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que avançou para 2,336%, ficou igual à taxa a seis meses (2,336%) e acima da taxa a 12 meses (2,306%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, recuou hoje, ao ser fixada em 2,336%, menos 0,018 pontos.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 37,75% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável. Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 32,52% e 25,57%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também baixou, para 2,306%, também menos 0,018 pontos e um novo mínimo desde 19 de setembro de 2022.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses, que está abaixo de 2,5% desde 14 de março, avançou hoje, ao ser fixada em 2,336%, mais 0,008 pontos.
A média da Euribor a três, seis e a 12 meses em março desceu 0,083 pontos para 2,442% a três meses, 0,075 pontos para 2,385% a seis meses e 0,009 pontos para 2,398% a 12 meses.
Como antecipado pelos mercados, o BCE decidiu em março reduzir, pela quinta vez consecutiva em seis meses, as taxas de juro diretoras em um quarto de ponto, para 2,5%.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, deu a entender que a instituição está preparada para interromper os cortes das taxas de juro em abril.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 16 e 17 de abril em Frankfurt.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Tarifas atiram Europa para mínimos de dois meses. Aston Martin dispara 12%
As bolsas europeias arrancaram a última sessão de março no vermelho, preparando-se para encerrar um trimestre que foi bastante positivo com uma nota negativa. A tendência de negociação está a ser influenciada pelas tarifas de Donald Trump, numa altura em que os investidores e gestores de ativos reavaliam os seus portefólio e exposição ao risco, em antecipação à entrada de novas barreiras ao comércio global.
O "benchmark" para a negociação europeia, o Stoxx 600, cai mais de 1% esta manhã para mínimos de dois meses, com os setores mais expostos às tarifas a registarem o pior desempenho – um movimento que acompanha as quedas nas principais praças asiáticas e a negociação de futuros do principal índice norte-americano S&P 500. O setor mineiro e o automóvel são os que mais caem, a esta hora.
"Há um fator a dominar a negociação: a incerteza em torno das tarifas", explica Mohit Kumar, analista da Jefferies, à Bloomberg. "O cenário mais negativo para o mercado seria 2 de abril [data em que Trump deve anunciar novas tarifas] ser apenas o ponto de partida para as negociações e termos um grande período de incerteza pela frente", acrescenta o analista.
Com os investidores a reduzirem a sua exposição ao risco e a apostarem em ativos mais seguros como o ouro – que atingiu novos máximos históricos – e juros da dívida, o cenário de uma guerra comercial à escala global está a aumentar as expectativas em tornos de cortes nas taxas de juro, tanto por parte da Reserva Federal norte-americana e pelo Banco Central Europeu. Os economistas do Goldman Sachs preveem agora três reduções nos juros diretores este ano por parte dos dois bancos.
Entre as principais movimentações de mercado, a sueca Fortnox dispara mais de 35% depois de a empresa de software de contabilidade ter informado que o seu maior acionista, a First Kraft, e o grupo de capital privado EQT fizeram uma oferta de compra à tecnológica.
Por sua vez, a Aston Martin escala mais de 12% após a fabricante de automóveis ter revelado que vai angariar mais de 125 milhões de libras (perto de 150 milhões de euros) com a venda da sua participação minoritária na equipa de Fórmula 1 que detém.
Entre os principais índices da Europa Ocidental, o francês CAC-40 recua 1,22%, o espanhol IBEX 35 desvaloriza 0,74%, o italiano FTSEMIB desliza 1,06%, o holandês AEX cai 0,88% e o alemão DAX recua 0,93%. Já o britânico FTSE 100 desliza 0,80%.
Juros aliviam na Zona Euro com investidores a fugirem do risco
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a aliviar esta manhã, numa altura em que os investidores fogem do risco e preferem apostar em ativos mais seguros, em antecipação à entrada de novas tarifas no comércio global.
Para além de estar a preparar a imposição de tarifas recíprocas a todos os países, Donald Trump afirmou estar ainda a estudar a possibilidade de novas sanções, através de taxas alfandegárias secundárias (como fez com a Venezuela), ao petróleo russo. A ameaça foi feita em entrevista à NBC News, mas entretanto o Presidente dos EUA veio pôr água na fervura, alimentando o clima de incerteza que se vive nos mercados mundiais e que provocou um "sell-off" esta manhã.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a região, registam o maior recuo entre os pares europeus, ao recuarem 2,9 pontos base para 2,695%. Por sua vez, as "yields" francesas com a mesma maturidade perdem 2,1 pontos para 3,408%, enquanto os juros italianos desaceleram 2 pontos para 3,826%.
Na Península Ibérica, as "yields" portuguesas recuam 2 pontos para 3,213%, enquanto as espanholas aliviam 2,6 pontos para 3,333%. Estas movimentações ocorrem numa altura em que os investidores aumentam as suas expectativas em relação ao número de cortes nas taxas de juro a serem realizados este ano pelo Banco Central Europeu (BCE), num cenário de grande incerteza.
Fora da Zona Euro, os juros da dívida britânica a dez anos negoceiam com a mesma tendência que os seus pares europeus e recuam 2,4 pontos para 4,673%.
Cenário de estagflação nos EUA penaliza dólar. Iene em alta
O clima de grande incerteza nos mercados mundiais está a dar força ao iene, visto pelos investidores como um ativo-refúgio. Com abril a aproximar-se e Donald Trump a renovar as ameaças ao comércio mundial, aumentam os receios que as tarifas possam alimentar a inflação e servir de entrave ao crescimento económico.
Apesar de ainda não ter revelado grandes detalhes, o Presidente dos EUA reafirmou no domingo a sua vontade de impor tarifas recíprocas a todos os países – sem exceção – ainda esta semana, com a Casa Branca a apontar para um anúncio na quarta-feira.
Em antecipação, o dólar chegou a perder 0,74% face ao iene esta manhã, depois de já ter registado uma sessão de grandes perdas na sexta-feira, quando novos dados apontaram para uma inflação subjacente em alta no país. Apesar de, tradicionalmente, o crescimento dos preços dar força à divida norte-americana, os investidores estão bastante preocupados com um cenário de estagflação.
"Os últimos dados económicos vindos dos EUA apontam para este cenário", começa por explicar Ray Attrill, diretor de "research" de mercados cambiais do National Australia Bank, à Reuters. Para o analista, o anúncio de quarta-feira "não deverá eliminar a incerteza que assola os mercados, bem como as empresas e os próprios consumidores".
A esta hora, o euro negoceia praticamente inalterado face à "nota verde", ao crescer 0,02% para 1,0839 dólares, enquanto a libra avança 0,19% para 1,2965 dólares. Já face à divisa nipónica, o dólar perde 0,47% para 149,14 ienes.
Ouro supera pela primeira vez os 3.100 dólares com tarifas à porta
No último dia de março, os preços do ouro fixaram um novo máximo histórico, em véspera da entrada em vigor das novas tarifas recíprocas decididas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. O preço do ouro a pronto (spot) chegou a avançar 1,39% até aos 3.127,92 dólares por onça, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 3.100 dólares.
O metal amarelo atingiu um novo máximo histórico na sexta-feira, registando a quarta semana consecutiva de ganhos, à medida que os investidores buscam refúgio devido aos receios do impacto da guerra comercial desencadeada pela Casa Branca.
Desde o início do ano, o ouro valoriza cerca de 18% e já fixou 15 máximos históricos, apesar de a convicção crescente de que a Reserva Federal (Fed) norte-americana irá manter as taxas de juro de referência em níveis elevados, o que tende a penalizar o ouro, uma vez que não remunera os investidores com juros.
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Incerteza nas sanções à Rússia deixa petróleo volátil
O petróleo está a negociar com grande volatilidade esta segunda-feira, numa altura em que os investidores avaliam as mais recentes declarações do Presidente dos EUA em torno das sanções ao petróleo russo.
Apesar das negociações recentes entre Moscovo e Washington sobre a guerra na Ucrânia, que as duas partes têm descrito como produtivas, a relação entre os dois líderes parece ter azedado. Em entrevista à NBC News, Donald Trump afirmou estar "muito zangado" e "irritado" com Vladimir Putin e ameaçou avançar com tarifas secundárias ao crude russo.
Na origem da irritação do republicano estarão comentários de Putin, na passada sexta-feira, que sugeriam um afastamento de Volodymyr Zelensky na presidência da Ucrânia e a instalação de um novo Governo. No entanto, no domingo, Trump veio pôr água na fervura, ao declarar que não acredita que Putin "volte atrás na sua palavra".
Em reação a estes desenvolvimentos, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os Estados Unidos (EUA) – perde 0,03% para os 69,34 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 0,12% para os 73,72 dólares por barril.
A Rússia é um dos três maiores produtores de petróleo no mundo, o que significa que qualquer tentativa concertada por parte dos EUA, mas também da União Europeia, de punir Putin tem um grande impacto no mercado de crude. A Índia e a China sofrem especial pressão com sanções ao petróleo russo, uma vez que se tornaram os seus principais compradores desde que Moscovo decidiu invadir a Ucrânia.
Tarifas levam a novo "sell-off" nas ações mundiais. Japonês Nikkei afunda quase 4%
Em antecipação à chegada de abril e à entrada de novas tarifas às importações pela mão dos EUA, as principias praças asiáticas encerraram a última sessão de março no vermelho, com o Japão a ser o principal penalizado. Na Europa, o pessimismo mantém-se, com as bolsas da região a apontarem para uma abertura em baixa.
Em todo o mundo, os gestores de ativos estão a reavaliar os seus portefólios e a reduzir a exposição dos mesmos ao risco, numa altura em que o ativo-refúgio predileto dos investidores, o ouro, ultrapassou pela primeira vez os 3.100 dólares por onça.
"Todas estas mudanças políticas aleatórias e agressivas que temos assistido por parte da administração Trump estão a ter impactos económicos negativos", afirma Katrina Ell, do Moody’s Analytics, à Bloomberg. A analista considera que o quadro em que as economias globais estão a entrar, pressionadas por uma política comercial protecionista nos EUA, é "preocupante", com a maior potência mundial a apontar para uma recessão.
No Japão, o Nikkei 225 encerrou a última sessão de março a desvalorizar 3,86%, em mínimos de mais de seis meses. Por sua vez, o Topix perdeu 3,39%, com os fabricantes nipónicos particularmente expostos à economia norte-americana.
Já na China, o otimismo em torno de uma atividade industrial em crescimento reduziu as perdas dos principais índices do país. O Hang Seng e o Shanghai Composite registaram desvalorizações de 1,6% e de 0,8%, respetivamente.
As ações do conglomerado de Hong Kong CK Hutchison encerraram a sessão a derrapar 3,21%, devido à incerteza sobre a venda de um conjunto de portos, incluindo dois no Canal do Panamá - operação que foi criticada por Pequim.
Por sua vez, na Coreia do Sul, o Kospi também terminou no vermelho, ao perder 2,83%, numa altura em que o regulador do país voltou a permitir o "short-selling" ações. Estas operações estavam proibidas há mais de cinco anos – a mais longa proibição da atividade na história da Coreia do Sul.