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Euronext descarta horário de negociação mais curto após falha de consenso
Depois de um inquérito feito a vários atores do mercado, o CEO da Euronext disse que iria manter o horário de negociação inalterado, uma vez que a sua mudança não era do agrado de todos.
01 de Agosto de 2020 às 19:00
A operadora da Bolsa de Valores de Paris não planeia encurtar o horário de negociação depois de um inquérito mostrar pontos de vista contraditórios, de acordo com o CEO Stephane Boujnah.
A Euronext entrevistou mais de 100 investidores. Em geral, as grandes gestoras de ativos e bancos são a favor da mudança, enquanto que as empresas de trading e investidores de retalho se mostraram contra, disse Boujnah em entrevista à Bloomberg, depois da divulgação do balanço do segundo trimestre.
No começo do mês, as bolsas europeias disseram que não viam razão para mudanças a meio de uma pandemia. É uma má notícia para ativistas, segundo os quais um horário mais curto aumentaria a diversidade e bem-estar em todo o setor de negociação de ações, atualmente dominado por homens.
Boujnah disse que a janela mais curta não é uma "solução que serve para todos". A Euronext registou receita de 210,7 milhões de euros no segundo trimestre, um aumento de 33% em relação ao ano anterior.
"Questões de diversidade não são simplesmente consequência de um longo dia de negociação", afirmou. "Como não há consenso e porque não queremos criar fragmentação do mercado, não consideramos que exista um argumento suficientemente forte para reduzir o horário de negociação".
A sessão em Londres começa às 8h e termina às 16h30, e o horário varia noutras bolsas europeias. Os horários das bolsas da Euronext coincidem com a sessão de Londres, entre 9h e 17h na hora local.
Horário mais longo
A Optiver, empresa de trading, disse na quinta-feira que é contra o horário mais curto e até faz lobby para estender as negociações. O objetivo seria tornar os mercados europeus mais competitivos e aproveitar o rápido crescimento da Ásia. A empresa propõe que as bolsas do bloco de 27 países abram mais cedo e fechem mais tarde com pausa para o almoço, quando as negociações seriam interrompidas, em linha com países como Singapura.
"A redução do horário do mercado europeu exacerbaria a queda da competitividade e relevância dos mercados de capitais da UE num período em que a região não pode arcar com isso", disse Edward Monrad, da Optiver Europe. "Agora é a hora de adotar uma visão de longo prazo e prolongar a negociação europeia para coincidir com horário comercial asiático".
Na entrevista à Bloomberg na quinta-feira, Boujnah disse que ter mais mulheres em nível sénior estimularia o crescimento das empresas e disse que planeia criar mais flexibilidade para que as pessoas trabalhem em casa, embora seja a favor do trabalho na empresa.