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Tarifas levam a "montanha-russa" em Wall Street. Índices fecham mistos

Apesar de fecharem entre ganhos e perdas, os principais índices dos EUA despedem-se de março com o pior desempenho trimestral desde 2022. Incerteza em torno de tarifas continuou a ocupar a agenda dos investidores, num dia marcado por volatilidade.

Peter Morgan/AP
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Os principais índices norte-americanos fecharam a primeira sessão semanal – e última trimestral – em terreno dividido. Uma nova onda de volatilidade atingiu os mercados esta segunda-feira, nas vésperas da planeada imposição de tarifas - automóveis e recíprocas - por parte do Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.

O S&P 500 ganhou 0,55% para os 5.611,85 pontos, enquanto o Nasdaq Composite cedeu 0,14% para 17.299,29 pontos. Já o Dow Jones valorizou 1% para 42.001,76 pontos.

Apesar de o S&P 500 ter recuperado de uma queda de 1,7% registada durante o dia, Wall Street despede-se de março com o pior desempenho trimestral desde 2022.

Os grupos de ações defensivas afastaram os índices de perdas, enquanto as "megacaps" (empresas de maior capitalização bolsista) permaneceram sob pressão. O tecnológico Nasdaq registou o seu pior desempenho trimestral em quase três anos, com uma descida de 8,3% no primeiro trimestre de 2025. As perdas chegam numa altura em que crescem os receios quanto a uma possível "bolha" no setor da inteligência artificial.

Os avanços e recuos da Administração Trump sobre as tarifas que serão reveladas na quarta-feira têm alimentado a incerteza vivida pelos investidores. Trump vai anunciar tarifas recíprocas na quarta-feira, sendo que na quinta-feira, começam a ser cobradas taxas alfandegárias aos veículos importados pelos EUA.

"O Presidente vai anunciar um plano de tarifas que vai reverter as práticas comerciais injustas que têm lesado o nosso país durante décadas", disse a secretária de Imprensa da Administração Trump esta segunda-feira. "É tempo de reciprocidade e é tempo de um presidente fazer uma mudança histórica que fará o que é certo para o povo americano", acrescentou.

"As tarifas provavelmente continuarão a impulsionar a discussão do mercado", disse à Bloomberg Chris Larkin, do Morgan Stanley. O especialista explicou ainda que "se as tarifas são mais ou menos rígidas do que o esperado, pode contribuir muito para moldar o ímpeto de curto prazo do mercado".

Dependendo da escala do que for anunciado, a Bloomberg Economics prevê um impacto das tarifas de 4% no PIB dos EUA ao longo de um período de dois a três anos, juntamente com um aumento de 2,5% nos preços.

A guerra comercial reavivou os receios de que a maior economia mundial pudesse estagnar, mas a maioria dos economistas consultados pela Bloomberg ainda não prevê que os EUA entrem em recessão no próximo ano. Dizem, ainda assim, que a probabilidade de uma contração económica aumentou. Outra preocupação é o risco de um abrandamento do crescimento ocorrer em simultâneo com a aceleração da inflação, cenário conhecido como estagflação.

Entre os movimentos de mercado, e dias antes de entrarem em ação tarifas sobre automóveis importados pelos EUA, a Ford ganhou mais de 3% e a General Motors subiu 0,75%. Já a Tesla deslizou 1,67%. No seu primeiro dia de negociação em bolsa, a Newsmax – empresa de média norte-americana – dispararou mais de 700%.

Quanto às "big tech", a Alphabet pulou 0,11%, a Nvidia caiu 1,18%, a Amazon cedeu 1,28%, a Microsoft deslizou 0,90%, a Meta registou ligeiras perdas de 0,066% e a Apple ganhou 1,94%.

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