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Hotelaria prevê crescimento para 2025 com apoio do aumento dos preços

O setor da hotelaria já não procura uma redução do preço quando existe uma menor procura e aprendeu a adaptar-se. Segundo Cristina Siza Vieira, mercado é hoje mais maduro e receita por quarto vai continuar a crescer.

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26 de Março de 2025 às 13:37
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A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) prevê um crescimento no setor para 2025, mantendo a taxa de ocupação observada no ano passado, mas registando um aumento no preço praticado e, consequentemente, nas receitas obtidas.

"Há uma maturidade dentro do setor hoteleiro, que significa que [os hotéis] sabem lidar com as situações de menor procura. Já não sacrificam o preço em prol da procura e o preço médio será melhor em todos os trimestre", explica Cristina Siza Vieira, vice-presidente da AHP, na apresentação que aconteceu esta manhã. 

As perspetivas do setor para 2025 mostram-se alinhadas com o que foi o ano de 2024, em que a taxa de ocupação do setor estabilizou, mas se observou um aumento do preço médio por quarto e também da receita por quarto. 

Com base nos dados observados em 2024, Cristina Siza Vieira adianta que Portugal "está a crescer mais em valor do que em taxa de ocupação. Em 2023 e 2024 registaram-se abrandamentos no crescimento" no mercado hoteleiro. 

Ainda assim, os associados da AHP, no inquérito realizado no início do ano, estão mais confiantes em relação a 2025, apesar de um arranque tímido. "A Páscoa calha no segundo trimestre e não dá o balão de oxigénio ao primeiro trimestre", evidencia a responsável. 

[Hotéis] sabem lidar com as situações de menor procura. Já não sacrificam o preço em prol da procura e o preço médio será melhor em todos os trimestreCristina Siza Vieira
Vice-presidente da AHP

Já para o terceiro e quarto trimestre, as perspetivas são bastante positivas, ou "em ascensão" como Siza Vieira descreve. O último trimestre do ano deverá continuar a afirmar-se junto do mercado hoteleiro por conta dos eventos que Portugal tem captado e também porque a procura sénior já não se concentra numa só altura do ano. 

Em termos de ocupação na hotelaria, Portugal volta a ser o seu principal mercado emissor, com Espanha a ficar em segundo e Reino Unido em terceiro lugar. Cristina Siza Vieira destacou que o mercado brasileiro deve aportar um novo crescimento este ano, que deverá ficar atrás dos Estados Unidos. 

Contudo, a AHP estima um decréscimo do mercado francês, algo já verificado em 2024. A hotelaria indica que o mercado francês está a "ser afetado pela instabilidade económica" do país, vendo-se refletido no número de turistas a chegar a Portugal e aos hotéis.

"Ainda que suave, tem havido um declínio da importância relativa do mercado francês em todas as regiões portuguesas", destaca Siza Vieira durante a apresentação. 

Capacidade de Lisboa entre as preocupações

A falta de capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e o atraso na construção de uma nova infraestrutura, estão entre as principais preocupações do setor hoteleiro para 2025. 

"Temos um conjunto de desafios pela frente em relação à instabilidade política que Portugal agora enfrenta, mas esperamos que o processo seja suave", refere Bernardo Trindade, presidente da AHP, na mesma apresentação, referindo-se às eleições para um novo Governo. 

"A maior preocupação é a infraestrutura aeroportuária. É essencial que, na nossa infraestrutura principal, em Lisboa, tenhamos resposta ao nível das obras, do serviço e devemos olhar para a ausência de respostas em termos de 'slots' para aumentar a estadia média", vincou o presidente. 

Bernardo Trindade fez ainda referência à privatização da TAP, defendendo que o processo deve ser retomado, dada a importância da companhia aérea para Portugal. Ainda assim, o caderno de encargos elaborado pelo Executivo deve ter em consideração as preocupações que têm vindo a ser evidenciadas pelos setores que são diretamente impactados pela chegada de turistas, nomeadamente o do turismo e hotelaria

Devemos olhar para a ausência de respostas em termos de 'slots' para aumentar a estadia média dos turistasBernardo Trindade
Presidente da AHP

Entre as preocupações do setor hoteleiro estão ainda a concorrência com outros destinos internacionais, o aumento dos preços, a instabilidade geopolítica, a escassez de mão-de-obra e as regulações europeias.

Booking lidera nas reservas

A Booking voltou a liderar nos canais de venda para o setor hoteleiro, com a maioria das reservas a chegarem através do portal online. O AirBnB, por outro lado, apresenta uma taxa de prevalência bastante reduzida nas reservas. 

Em segundo lugar, e talvez para surpresa dos desatentos, os websites próprios dos hotéis ficaram em segundo lugar na lista dos principais canais de venda. 

Em sentido contrário, a Expedia "tem vindo a perder terreno nos canais de reserva" e ficou no terceiro lugar no ranking da AHP, tendo-se observado uma quebra superior a 25% na sua importância dentro dos hotéis. 

Ainda assim, ainda há caixinhas de surpresas. As agências de viagens têm vindo a "ganhar espaço" nestes canais de reserva, uma vez que muitos turistas têm optado por marcar o destino com voo e hotel integrado no mesmo pacote. 

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