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TAP fecha 2024 com lucros de 54 milhões, quase 70% menos que em 2023

"Provisões laborais extraordinárias e perdas cambiais" impactaram as contas da transportadora em 2024, que conseguiu, ainda assim, o tereceiro ano consecutivo de resultados positivos. Este ano, o último do plano de restruturação, será "igualmente desafiante", antecipa a empresa.

Miguel Baltazar
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A TAP fechou 2024 com lucros de 53,7 milhões de euros, sendo o terceiro ano consecutivo de resultados líquidos positivos. Ainda assim, os lucros da transportadora do ano passado são 69,7% inferiores aos de 2023, ano em que obteve 177,3 milhões.

Este resultado foi "impactado por provisões laborais extraordinárias e perdas cambiais", explica a empresa em comunicado. Comparando com 2019, último ano antes da pandemia, os resultados registam um aumento de 149,4 milhões de euros.

Já no último trimestre, a transportadora registou prejuízos de 64,5 milhões, o que representa uma quebra de 145,8% nos resultados líquidos, em relação ao mesmo período de 2023, devido principalmente a "provisões laborais não recorrentes". "Em 11 de dezembro de 2024 foi proferido um acórdão uniformizador de jurisprudência pelo Supremo Tribunal de Justiça relativo à reclassificação de tripulantes de cabine na sequência da nulidade do termo do contrato. A TAP reclamou esta decisão, tendo obtido no dia 12 de março de 2025 uma resposta que indeferiu o pedido de reclamação. Consequentemente, a TAP reconheceu uma provisão extraordinária", explica a empresa.

Em relação à totalidade do ano, as receitas operacionais ultrapassaram os 4,2 mil milhões, o que representa um "novo máximo histórico" (mais 0,7% face a 2023 e 28,6% face 2019), com 16,1 milhões de passageiros transportados ao longo de 2024. Ainda assim, o número total de voos operados diminuiu 1,5% face a 2023.

Os custos operacionais recorrentes aumentaram 0,8% em termos homólogos, atingindo 3.859,8 milhões em 2024. A maior subida de gastos verifica-se no custo dos materiais consumidos (+34,4%), reestruturação (34,4%) e "outros itens não recorrentes" (+70,7%). Já a rúbrica "imparidade de contas a receber, inventários e provisões", que foi reduzida em 45,9%.


O EBITDA recorrente atingiu 875,3 milhões de euros em 2024, com uma margem de 20,6%, aumentando 3,7 milhões ou 0,4% em comparação com 2023. O EBIT recorrente totalizou 382,7 milhões em 2024, com uma margem de 9%, representando uma diminuição de 3,2 milhões ou 0,8%, "refletindo um nível de rentabilidade consolidado, em linha com 2023, acomodando com sucesso os novos Acordos de Empresa e o aumento dos custos com pessoal", diz a TAP.

A transportadora destaca ainda a "posição de liquidez sólida de 651,6 milhões, excluindo a terceira tranche de capital de 343 milhões, executada pelo acionista a 17 de janeiro de 2025". "Considerando esta injeção de capital, o rácio dívida financeira líquida / EBITDA atingiu o nível de 2,2x. Adicionalmente, a operação bem-sucedida de refinanciamento da dívida em novembro aumentou a maturidade da dívida da TAP. Estes fatores reforçam a estabilização das métricas financeiras de desalavancagem e a gestão financeira disciplinada da TAP", pode ler-se.

No final de 2024, a TAP contava com um passivo total de 5.154 milhões, menos 2,4% que no final de 2023.

Luís Rodrigues, Presidente Executivo da TAP, diz que estes resultados "foram conseguidos num ano muito desafiante, marcado por um aumento relevante da concorrência nos nossos principais mercados, fortes desvalorizações cambiais, desafios operacionais, nomeadamente no controlo de tráfego aéreo e eventos meteorológicos adversos, e constrangimentos estruturais, como o limite de aeronaves".

No mesmo comunicado, Rodrigues antecipa que 2025 vá ser "igualmente um ano desafiante", mas sublinha que será "o último ano do plano de restruturação, no qual continuaremos focados na transformação da TAP numa companhia sustentadamente rentável e numa das mais atrativas da indústria, contanto com o apoio e compromisso das nossas pessoas e dos nossos stakeholders".


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