Notícia
CEO: Capazes de Exceder Objectivos
Um livro. 23 gestores. Falam do percurso até à liderança, dos altos, dos baixos, da sorte, do trabalho. De António Coimbra, da Vodafone, a Carlos Barros, da Fujitsu, a lista é extensa. O livro conta com apenas duas mulheres. Nuno Amado foi outro dos entrevistados. Ficou por contar a passagem do Santander para o BCP.

Estas são três histórias que a jornalista Rute Sousa Vasco destaca entre as que ouviu para escrever o livro “A sorte dá muito trabalho”, em conjunto com Fernando Neves de Almeida.
Nuno Amado foi um dos gestores que colaborou com o livro. “Ir para CEO foi o segundo passo mais difícil da minha carreira, sendo que o primeiro foi trocar a auditoria pela banca”, afirmou. Ficou por contar uma história. A sua passagem da liderança do Santander para a do BCP.
Outra das curiosidades que se destaca na obra é a quase total ausência de gestoras do leque de entrevistados. Rute Sousa Vasco disse ao Negócios que houve dificuldade em encontrar nomes femininos no topo empresarial. “Não é uma surpresa”, comenta. Ana Paula Moutela, da Zara, e Cláudia Almeida e Silva, da Fnac, são as excepções.
Gestor que partilha experiência com trabalhadores

E o que leva gestores a revelarem a sua história num livro? Por que é que os administradores deixam que os seus funcionários tenham acesso ao seu percurso profissional e pessoal?
“Havia imensas razões para não estar no livro, porque acho que a visibilidade dos líderes é muito exagerada”, é a resposta de António Casanova, CEO da Unilever Portugal (na foto).
Contudo, para Casanova, os líderes não se podem eximir do dever que têm para com as pessoas que consigo trabalham e que querem fazer carreira. Como? “[Passando] mensagens das três ou quatro coisas que acredito serem importantes”, salienta.
“Achei interessante partilhar a experiência que vamos tendo ao longo da vida. Também para ajudar os mais novos a encontrar algumas pistas sobre como é que podem progredir nas carreiras”, considera João Costa, da Matutano.
Para Rute Sousa Vasco, a disponibilidade dos gestores em participar num livro, em que se expõem, em que contam a sua vida, foi “absolutamente extraordinária”.
“Temos excelentes gestores”
O co-autor de “A sorte dá muito trabalho”, Fernando Neves de Almeida, traçou, na segunda parte do livro, um perfil do gestor português. Ter sentido do dever, ter capacidade de entrega e assumir mais

Um outro ponto comum aos gestores consultados – que o escritor assegurou terem sido escolhidos por terem progredido dentro da mesma empresa – é o facto de terem estado em empregos onde estão expostos a quem decide. “O seu desempenho era, de uma forma ou de outra, levado ao conhecimento de quem, em última instância, tinha a palavra final sobre o seu futuro”, escreve Nunes de Almeida.
Já para a jornalista Rute Sousa Vasco, há duas conclusões a retirar das entrevistas que realizou aos 23 gestores. Primeiro, há uma posição à qual se pode chegar com muito trabalho – “não só a número um, porque nem toda a gente é feliz a ser o número um”. Depois, nem sempre os momentos decisivos são aqueles em que tudo corre bem.
Há ainda uma nota a retirar do livro, na opinião da escritora: Em Portugal, “temos excelentes gestores”.