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Falta de notas impede venezuelanos de receber salário quinzenal

A dificuldade nos levantamentos segue-se à decisão do Governo de Nicolás Maduro, que deu ordem de retirada das notas de 100, as de maior valor existentes no país.

Reuters
17 de Dezembro de 2016 às 14:53
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Milhares de venezuelanos estão impedidos de receber o salário, que na Venezuela se paga quinzenalmente, devido à falta de notas nos bancos, onde há vários dias se registam diariamente longas filas de clientes.

As filas ocorrem na sequência da decisão do Governo do Presidente Nicolás Maduro de ordenar a retirada de circulação as notas de 100 bolívares (Bs - 0,15 euros), as de maior valor existentes no país.

"Estive duas horas no Banco Plaza (propriedade de portugueses), para cobrar um cheque de 65 mil Bs (93,28 euros) e fui informado de que não disponham de notas de 20, 50 nem 10 Bs. Que apenas podiam pagar-me com notas de 5 Bs, o que significa que teriam que entregar-me umas 13 mil", explicou Juan Pérez à agência Lusa.

Com 45 anos de idade e mensageiro de profissão, este venezuelano explicou que teve que abandonar o banco sem cobrar o cheque, porque "é demasiado arriscado, em termos de segurança, andar com tantas notas na mão".

"É o dinheiro da minha quinzena (salário quinzenal) e não pude receber, tenho apenas uns 2.000 Bs (2,80 euros) e em notas de 100 Bs que já ninguém recebe. Quando estava na fila houve um senhor que recebeu a sua pensão e ficou durante algum tempo a pensar se saía do banco com a bolsa, porque se percebia que era dinheiro", relatou.

Juan Pérez explicou que também tem uma conta no estatal Banco Bicentenário, mas que aí apenas entregavam 2.000 Bs aos clientes, em notas de 2,00 Bs.

Várias pessoas explicaram à Lusa que tiveram que acudir ao banco nos primeiros dias desta semana para depositar as notas de 100 Bs, que tinham em casa para situações de emergência e que "literalmente" ficaram "limpos", por até terem dificuldades para pagar a passagem de autocarro, que na Venezuela agora é de 100 Bs (0,15 euros).

"Preciso de comprar verduras e hortaliças para casa. Tenho o hábito de comprar às sextas-feiras a um camião de agricultores que vem do interior do país, mas não têm "punto" (terminal de pagamento) de cartão de débito ou de crédito e não tenho dinheiro ao vivo, explicou Manuel Sanchez, de 40 anos.

Preocupado com a situação, explicou que trabalha numa sapataria onde o Governo obrigou recentemente a baixar os preços e que "todo o meu salário está retido", quando "falta apenas uma semana para o Natal".

"Como adultos, ainda podemos fazer um esforço, mas tenho duas crianças pequenas para as quais preciso de comprar o presente e para isso contava com a 'quinzena' (salário quinzenal). A esta altura não há ambiente natalício, este será o Natal mais triste que tenho vivido. Sinto uma grande impotência", desabafou.

Este venezuelano questionou onde andam as notas novas que o Governo venezuelano anunciou que entrariam em circulação a 15 de Dezembro, mostrando-se preocupado sobre se "haverá outra razão para fazer sofrer a população".

O Presidente da Venezuela ordenou, domingo passado, que as notas de 100 bolívares (0,15 euros) fossem retiradas de circulação, para, alegadamente combater máfias internacionais (norte-americanas, colombianas, europeias e asiáticas) que estariam a armazenar ilegalmente aquelas notas, para desestabilizar a economia venezuelana.

Segundo o Banco Central da Venezuela, existem 6.111 milhões de notas de 100 bolívares em circulação na Venezuela, aproximadamente 48% do dinheiro que circula entre a população.

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