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Investimento empresarial recua 18,5% em 2002; deve cair 0,9% este ano
O investimento feito pelas empresas em Portugal terá caído 18,5% em 2002 e deverá sofrer nova queda este ano, fruto de um agravamento expressivo do clima económico no nosso país no segundo semestre de 2002, anunciou o INE.
Segundo os resultados do Inquérito de Conjuntura ao Investimento de Outubro do Instituto Nacional de Estatística «ocorreu um agravamento expressivo do clima económico do primeiro para o segundo semestre» de 2002.
As estimativas do INE apontam para uma queda de 18,5% no valor da Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede o investimento. Esta queda compara com a descida de 3,4% prevista pelo INE no Inquérito de Conjuntura ao Investimento de Abril.
A primeira previsão para a evolução do investimento das empresas no ano de 2003, recolhida no presente Inquérito, aponta para uma quebra ligeira desta variável, na ordem dos 0,9%.
«Apesar de ter ocorrido a referida redução do investimento estimado em 2002, entre os inquéritos de Abril e de Outubro a percentagem de empresas com intenção de investir aumentou de 72,3% para 75,1%. De acordo com o presente inquérito, apenas 64,5% das empresas perspectivam investimentos ao longo de 2003», explica o INE em comunicado.
As estimativas do INE são mais pessimistas que outras projecções conhecidas. O Banco de Portugal, que prevê um crescimento de 0,5% no PIB em 2002, estima uma queda entre 5 e 3% na FBCF o ano passado.
Dos nove sectores de actividade analisados pelo INE, oito baixaram as suas projecções de investimento no Inquérito de Outubro, face ao de Abril. Apenas o sector da Electricidade, Gás e Água, o único que aumentou o investimento entre 2001 e 2002, aponta para um ligeiro aumento do investimento face ao previsto em Abril.
Segundo o INE as maiores quebras sectoriais no investimento, acima da variação global da economia, ocorreram na Construção (-38,9%), Indústria Extractiva (-29,9%), Alojamento e Restauração (-29,6%), na Indústria Transformadora (-29,2%), nas Actividades Imobiliárias, Alugueres e Serviços Prestados às Empresas (-26,3%) e nos Transportes, Armazenagem e Comunicação (-19,5%).
Empresas de maior dimensão aumentam investimentos em 2003O INE destaca que nas perspectivas para 2003 as empresas com mais de 500 trabalhadores estimam um aumento de 7,5% no investimento, com as empresas de menor dimensão a serem as que deverão sofrer uma maior queda no investimento.
O aumento da capacidade produtiva continua a ser o principal objectivo do investimento, representando mais de 47% do seu valor nos dois anos em análise, seguindo-se a substituição de equipamentos, com cerca de 27% em ambos os anos.
As empresas continuam a recorrer principalmente ao autofinanciamento, tendo satisfeito por esta via cerca de 57,9% das suas necessidades ao longo de 2002 e relativamente a 2002, a percentagem de empresas que declararam limitações ao investimento aumentou de 45,6% em Abril para 51,9% em Outubro.
«Os principais factores limitativos do investimento em 2002 foram a deterioração das perspectivas de venda e, em menor escala, a rentabilidade dos investimentos e a capacidade de autofinanciamento. Estes factores permanecem como os mais assinaladas para 2003», adianta o INE.
Empresas baixam perspectivas de criação de empregoO inquérito do INE indica ainda que as empresas reviram em baixa as expectativas de criação de novos empregos durante 2002. Globalmente a criação de empregos teve um saldo negativo de 4,4 pontos percentuais em 2002, prevendo-se novo valor negativo de 3,6% este ano.
Segundo o Eurostat a taxa de desemprego em Portugal aumentou para 5,8% em 2002, embora os dados do INE só reportem até ao terceiro trimestre.
O sector das Actividades Financeiras é o que regista a maior perda de postos de trabalho tanto em 2002 (-31.5 pontos percentuais) como em 2003 (-33.0 pontos percentuais), salienta o INE.
O Banco BPI anuncio ontem que reduziu 595 postos de trabalho em 2002.
Por Nuno Carregueiro