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Banco de Portugal piora previsões para a economia este ano
A instituição liderada por Carlos Costa actualizou as previsões. O banco central não espera uma melhoria no crescimento económico este ano. Novas projecções fragilizam números do Governo.
A instituição liderada por Carlos Costa actualizou esta quarta-feira, 30 de Março, as previsões para a economia portuguesa na sequência do exercício de actualização feito pelo Banco Central Europeu para a zona euro.
O banco prevê que o consumo privado cresça este ano 1,8%, quando em Dezembro - quando fez o último exercício de previsões que colocava a economia a crescer 1,7% - esperava um aumento de 2,7% no consumo privado. Nessa altura, o Orçamento ainda não era conhecido.
"Para 2016 antecipa-se um crescimento de 1,5%, semelhante ao registado em 2015, num quadro de deterioração do enquadramento internacional – não obstante a orientação acomodatícia da política monetária – de desaceleração do investimento empresarial e de resiliência do consumo privado corrente", justifica o Banco de Portugal.
Isto significa que a justificar a a degradação da previsão de crescimento económico está não só a conjuntura externa, como o facto de as empresas se prepararem para desacelerar o investimento e as famílias resistirem a aumentar o consumo.
Estas previsões representam um balde de água fria nas expectativas do Governo de António Costa. No Orçamento, o Governo espera que o consumo privado suba 2,4%, enquanto o banco central espera um crescimento de apenas 1,8%. Quanto ao investimento (que aqui engloba o investimento público e privado), a equipa de Mário Centeno calculou um crescimento de 4,9%, mas o Banco de Portugal espera um aumento de apenas 0,7% (em forte desaceleração face a 2015, quando subiu 3,7%). No caso das exportações, o Banco de Portugal espera um crescimento de 2,2%, que compara com um aumento de 4,3%, previsto no Orçamento do Estado.
Mais: além das previsões para o crescimento económico serem piores do que o previsto em Dezembro pelo banco e do que o Governo de Costa prevê elas podem ainda ser piores. É que "os riscos identificados em torno da projecção para a actividade económica e para a inflação são globalmente descendentes", escreve o banco, que usou toda a informação disponível até 17 de Março (um dia depois da aprovação do Orçamento do Estado no Parlamento).
Fontes: INE e Banco de Portugal.
Notas: (p) – projectado, p.p. – pontos percentuais. Para cada agregado apresenta-se a projecção correspondente ao valor mais provável condicional ao conjunto de hipóteses consideradas.
(a) Os agregados da procura em termos líquidos de importações são obtidos deduzindo uma estimativa das importações necessárias para satisfazer cada componente. O cálculo dos conteúdos importados foi feito com base em informação relativa ao ano de 2005. Para mais informações, ver a Caixa "O papel da procura interna e das exportações para a evolução da actividade económica em Portugal", Boletim Económico de Junho de 2014.