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09 de Fevereiro de 2005 às 13:59

Carnaval político

Seja por convicção ou por conveniência, Paulo Portas tem razão. Os partidos devem escolher se querem fazer uma campanha de casos ou uma campanha de causas. Se preferem focalizar-se na trica ou nas questões políticas.

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Se preferem o «sound bite» para aguçar o instinto fragmentário dos media ou se preferem as questões estratégicas. Se preferem falar sobre o que disse um padre numa paróquia ou sobre a essência da questão da despenalização do aborto. Se preferem discorrer sobre o carro em que viajou o primeiro-ministro enquanto candidato partidário que não faz campanha no Carnaval ou se preferem comprometer-se com reformas para o país.

De facto, depois de um período interessante que correspondeu à apresentação dos programas partidários, a campanha eleitoral que passa na imprensa e na televisão mergulhou na pior vulgaridade, no pugilato palavroso, numa sucessão de quezílias espúrias, como se entre o PS e o PSD tudo fosse politicamente igual menos as cores das camisolas.

É certo que esta campanha nasceu sob o signo do veneno político e por isso dificilmente dele sairá. Santana Lopes tem nisto o mérito supremo e nem a sua pele de cândido cordeiro disfarça o seu comportamento de lobo. Porém, até Francisco Louçã se deixou levar por tais melaços apesar de o conhecer desde a carteira do liceu.

Até Cavaco Silva é convocado pelos media, primeiro para mostrar, no exacto início da campanha eleitoral para as legislativas, que lidera destacado as intenções de voto para as presidenciais e depois como tendo dito, ao seu restrito círculo de amigos, que preferia uma maioria absoluta do PS.

Que os media preferem a intriga à política é uma verdade que ficou demonstrada à exaustão pela selecção de perguntas que foi dirigida aos dois principais candidatos no frente a frente televisivo.

Porém, perante o momento decisivo que Portugal enfrenta, chegou por certo a hora de os media assumirem a sua responsabilidade histórica.

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