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Amália chega até ao fim de março mas cidadãos ainda ficam de fora
O consórcio responsável pelo ChatGPT português será o primeiro a ver os resultados preliminares, e tudo já no fim de março. Governo em gestão não influencia arranque do projeto.
Conhecido como o ChatGPT português, o Amália, apresentado por Luís Montenegro na Web Summit em novembro do ano passado, encontra-se em desenvolvimento e o programa está a ser cumprido, com a primeira versão a chegar no fim de março.
Contudo, e tal como acontece com a maioria das versões beta, o Amália ainda ainda não vai chegar aos portugueses. O Ministério da Juventude e Modernização confirma ao Negócios que o projeto estará apenas disponível, nesta primeira fase, para os elementos que compõem o consórcio.
A versão beta vai ter capacidade para receber e interpretar instruções em texto e responder com base no conhecimento que tem vindo a adquirir nos últimos meses. Para já, não tem conhecimento especializado.
O Governo adianta ainda que esta versão vai servir como "base de treino e desenvolvimento para as duas versões posteriores", a base e a multimodal. As datas iniciais, que estarão a ser cumpridas, indicam que a versão base chega no fim do terceiro trimestre e a final apenas no segundo trimestre de 2026, uma vez que é a mais aprimorada e terá capacidade para responder a questões específicas.
Este "large language model" (LLM) soma um investimento de 5,5 milhões de euros, sendo financiado pelo PRR.
O consórcio é liderado pelos centros de investigação Nova Lincs da Universidade Nova de Lisboa, Instituto de Telecomunicações e Instituto Superior Técnico. Também as Universidades de Coimbra, Porto e Minho estão envolvidas no projeto, tendo sido adicionados posteriormente investigadores das Universidades da Beira Interior e Évora.
Por sua vez, a Agência para a Modernização Administrativa está responsável pela gestão da iniciativa e a Fundação para a Ciência e Tecnologia pela coordenação do treino e desenvolvimento do LLM. Serão estas duas entidades a assegurar a infraestrutura e mecanismos para o alojamento e disponibilização do Amália para a comunidade portuguesa.
No entanto, ao contrário do que foi inicialmente avançado, não existe "nenhum envolvimento de entidades privadas". Na altura, Vasco Pedro, fundador e CEO da Unbabel, indicava que a empresa portuguesa estava envolvida no projeto, algo agora desmentido pelo Governo.
O Amália insere-se dentro da Agenda Nacional de Inteligência Artificial, que o Ministério liderado por Margarida Balseiro Lopes já não vai apresentar, segundo informação avançada ao Sapo Tek. Ao Negócios, a tutela confirma a decisão por o Governo se encontrar em gestão, embora adiante estar "a preparar a Agenda Nacional de IA considerando a sua prossecução e para que esta esteja na pasta de transição para o próximo Governo".