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Lucro da Altri dispara 150% para 107 milhões em 2024
A produtora de pasta de papel salienta, na apresentação das contas do ano passado, a obtenção da declaração de impacto ambiental favorável ao projeto Gama, na Galiza, mas diz que ainda são necessárias licenças adicionais.
A Altri anunciou esta quinta-feira ter registado um resultado líquido de 107,2 milhões de euros em 2024, o que representa um crescimento de 150,6% face aos 42,8 milhões apurados em 2023.
Em comunicado à CMVM, a produtora de pasta de papel adianta que as receitas totais aumentaram 8,5% no ano passado, para 855,3 milhões de euros, com a evolução positiva dos preços da pasta "como consequência de uma procura global mais favorável no conjunto do ano".
A produção de fibras celulósicas foi de 1.075,6 mil toneladas, um aumento de 1,4% face a 2023, tendo as vendas ficado em linha com o valor registado um ano antes (menos 0,2%), situando-se em 1.078,8 mil toneladas, tendo 91% como destino os mercados externos.
O EBITDA atingiu os 218,3 milhões de euros, mais 59% face aos 137,3 milhões apurados em 2023, correspondendo a uma margem EBITDA de 25,5%, que melhorou 8,1 pontos percentuais.
O investimento atingiu 30 milhões de euros, o que compara com 60,7 milhões registados no exercício anterior, o qual foi marcado pelo investimento na nova caldeira de biomassa da Caima.
A dívida líquida do grupo foi reduzida em 143 milhões de euros face a dezembro de 2023, para 213,6 milhões de euros, estando agora o rácio dívida líquida/EBITDA em 1,0x, o que compara com 2,6x que registava um ano antes.
No comunicado, a Altri reafirma que "continua a desenvolver vários projetos de diversificação e crescimento alinhados com o seu plano estratégico", onde se insere a valorização do ácido acético e furfural de base renovável na Caima - com previsão de arranque no primeiro trimestre de 2026 -, a migração da produção da Biotek para pasta solúvel - até ao final do próximo ano - e o projeto Gama, na Galiza, que acaba de receber o parecer favorável da Declaração de Impacto Ambiental. "Apesar de serem necessárias licenças adicionais, a DIA representa um marco importante, já que avalia o projeto como cumprindo com todas as normativas ambientais em vigor", diz o grupo.
Salienta ainda no comunicado a aquisição da Greenalia Forest e da Greenalia Logistics, que "reforça a capacidade operacional do grupo no aprovisionamento de matéria-prima" e "dá um importante passo estratégico na consolidação da sua presença na Galiza".
Na mensagem que acompanha a apresentação das contas de 2024, o CEO da Altri, José Soares de Pina, sublinha que "2024 ficou marcado por alguma volatilidade nos mercados internacionais, com ciclos cada vez mais rápidos", recordando que a primeira metade do ano "foi amplamente positiva, com o preço da pasta BHKP a atingir o seu pico em junho". Já no segundo semestre "a tendência inverteu-se, com o preço a registar os mínimos anuais no final de 2024", sendo que "entretanto a situação do mercado melhorou, tendo em conta os anúncios de aumentos de preços já ocorridos em 2025 quer na China, quer na Europa", refere.
Para 2025, o grupo diz que "mantém a sua perspetiva de manutenção ou subida ligeira dos principais custos variáveis", admitindo que "os aumentos de preços da energia elétrica e do gás e algum aumento de preço da soda cáustica poderão também ter algum impacto nos custos variáveis a curto prazo".