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Investimento da EDP cai quase 28% entre 2023 e 2025. Empresa quer apostar mais em redes

De um valor de "capex" bruto de 6,1 mil milhões de euros há dois anos, a elétrica planeia agora investir em 2025 e 2026 uma média por ano de 4,4 mil milhões. Deste valor, o segmentos de redes ganha expressão, com um 25% do investimento previsto nestes dois anos.

A EDP Renováveis é a cotada do índice nacional com a maior margem de lucro: 26,9%.
Miguel Baltazar
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A EDP tem vindo a baixar acentuadamente o valor do seu investimento anual, tanto em redes de eletricidade como em renováveis, clientes e gestão de energia. De um valor de "capex" bruto de 6,1 mil milhões de euros há apenas dois anos - dividido entre 16% para redes e 84% para os restantes negócios -, a elétrica planeia agora investir em 2025 e 2026 uma média por ano de 4,4 mil milhões. Deste valor, o segmento de redes ganha expressão, com um quarto (25%) do investimento previsto nestes dois anos.

Fazendo as contas, trata-se de uma queda de quase 28% no capital investido pela EDP entre 2023 e 2025. 

Na apresentação de resultados que a empresa enviou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários esta madrugada - depois de ter dado conta de lucros de 891 milhões de euros em 2024 (-16%) - a elétrica revela que no ano passado investiu 5,4 mil milhões de euros (17% em redes), menos 11,5% do que em 2023. Entre 2024 e 2025 a redução no investimento será de mil milhões de euros, ou seja menos 16,4%.

Na revisão em baixa do seu plano estratégico, apresentado ao mercado em maio de 2024, a EDP apresentou um valor anual de investimento mais reduzido (face ao que tinha manifestado em 2023), na ordem dos 5,7 mil milhões de euros (20% em redes), que acaba por sofrer agora um corte ainda maior de 22% face ao que realmente será investido em 2025 e 2026 (4,4 mil milhões, em média, em casa um destes anos). 

Desta forma, entre 2024 e 2026 a EDP investirá menos três mil milhões de euros, face ao que previu em maio de 2024. Nessa altura, a empresa reviu em baixa as suas previsões de investimento para 17 mil milhões até 2026, valor que baixou agora ainda mais, para 14 mil milhões, muito por causa da travagem na construção de nova capacidade renovável, ao nível da EDP Renováveis. Para estes três anos, a EDP prevê então um investimento anual de 4,4 mil milhões em 2025 e 2026, ao qual se somam os 5,4 mil milhões em 2024, ou seja, um total de 14mil milhões.

Esta terça-feira (dia em que apresentou os resultados tanto da EDP Renováveis como da "casa mãe" EDP), a elétrica deu conta de um "abrandamento no ritmo de investimento", que se traduz numa menor ambição da capacidade renovável instalada: 2 GW em 2025 e 1,5 GW em 2025. 

Em termos só de EDPR, e para instalar 3,5 GW em dois anos, isto significa um investimento de três mil milhões em 2025 e dois mil milhões em 2026, "excluido o eólico offshore". disse p CEP, MIguel Stilwell.

A EDP vai assim optar por uma "alocação de capital de acordo com critérios seletivos e disciplinados", "projetos eólicos e solares em mercados considerados de baixo risco (cerca de 85% na Europa e EUA" e um "aumento do investimento em redes elétricas" para os 25%. 
 
Perante este cenário, a EDP avança com previsões de resultados financeiros para 2026: um EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a rondar os cinco mil milhões de euros (que compara com os 4,5 mil milhões de 2022) e um resultado líquido entre 1,2 e 1,3 mil milhões de euros, acima dos 900 milhões de há três anos.  

A empresa prevê melhores margens para o negócio integrado na Península Ibérica, uma continuação do "crescimento estável no segmento de redes" (+7% em 2024, com um peso já de 43% nos ganhos da empresa, face aos 29% de 2023), menor capacidade de instalação de projetos renováveis e também menores ganhos em termos de rotação de ativos em 2025 e 2026.  

Questionado pelos analistas, sobre se nos últimos anos a EDP tentou crescer depressa demais, Stilwell respondeu: "Tentámos crescer tão rápido quanto conseguimos. Mas registaram-se eventos traumáticos para o setor energético, ao nível das disrupções das cadeias de abastecimento e do aumento do custo de capital. Os projetos demoram tempo e ao tentarmos crescer rápido, levámos com estes impactos", explicou, dizendo que "a rotação de ativos continua a ser uma parte muito importante da estratégia, e vai continuar a ser", pelo menos estes dois anos.

 

Mas deixou bem claro: "Estamos a moderar o ritmo do investimento, a manter o foco na eficiência e a ajustar a nossa estrutura ao novo contexto. Em termos de execução estratégica para 2025 e 2026, estamos a dar prioridade a um crescimento seletivo, com fortes critérios de investimento e melhorias de eficiência, para garantir que estamos levar a cabo uma expansão mais sustentável e rentável", explicou o CEO da EDP e EDP Renováveis aos analistas, depois de apresentar os resultados da EDPR em 2024, que registou prejuízos de 556 milhões no ano passado. 

"Continuamos a dar prioridade à rentabilidade em detrimento do volume e a maior parte do crescimento está a vir dos nossos principais mercados na Europa e dos EUA, responsáveis por 90% das adições de 2025", disse Stilwell na "call" com analistas. 
 
"Após 2026, não sabemos", disse o CEO, prometendo uma maior visibilidade sobre a estratégia da empresa além desta linha temporal depois do verão, tento em conta que a empresa terá o seu Capital Markets Day mais para o final deste ano. Tal como já tinha dito antes, Stilwell confirmou que "2025 e 2026 vão ser anos mais complicados". 

"Faremos uma nova atualização depois do verão, com projeções mais a longo prazo. Mas dado o atual contexto do mercado, sentimos necessidade de dar visibilidade para 2025 e 2026", explicou.

Entretanto, Donald Trump e a sua oposição feroz aos projetos de energia eólica offshore nos Estados Unidos já está a ter impactos negativos no universo EDP.  A empresa revelou que, ao nível da Ocean Winds ("joint venture" com a francesa Engie para o eólico offshore) foi tomada a "decisão preventiva de registar uma imparidade de 133 milhões no negócio offshore nos EUA devido à incerteza atual em torno dos projetos offshore" no país.

Stilwell assumiu um atraso de quatro anos no projeto Southcoast Wind, para instalar 2,4 GW eólicas no mar ao largo da costa do Massachusetts. A construção deveria começar já em 2025, para estar operacional em 2030.

"Nos EUA, para o offshore, os preços rondam os 150 dólares por MWh, mais ou menos. Temos a interconexão, temos o investimento disponível e o projeto pronto a arrancar. Mas obviamente, tendo em conta tudo o que foi divulgado nas últimas semanas em termos de ordens executivas, decidimos ser mais prudentes. Podíamos ter adiado apenas dois anos, mas optámos pelos quatro anos", disse o CEO, admitindo "riscos" nos EUA. 


"É óbvio que existe incerteza nos EUA, por isso estamos a lidar com esta situação de forma prudente e a fazer um planeamento e uma gestão dos riscos muito cuidadosos". 

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