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Presidente da dona do Pingo Doce: “Não há banca portuguesa. Acabou”

Pedro Soares dos Santos afirma que “hoje seria impossível” o grupo receber o apoio que teve do BCP, no início deste século, quando passou por dificuldades. “Porque não há banca portuguesa, acabou”, disse ao Expresso. Nem o banco estatal: “Temos uma CGD intervencionada.”

Pedro Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins. Miguel Baltazar/Negócios
28 de Julho de 2018 às 12:19
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"Não vejo que a vida dos portugueses esteja muito melhor" é o título escolhido pelo Expresso deste sábado, 28 de Julho, para a entrevista ao presidente do grupo Jerónimo Martins.

 

"O discurso [do Governo] mudou, mas a austeridade está cá", considera Pedro Soares dos Santos, que defende que António Costa "tem dado confiança ao país" e que "não tem cometido erros na orientação económica".

 

Confessa: "Não fiquei muito céptico" aquando da criação da chamada "geringonça" (governo do PS com o apoio do PCP e o Bloco de Esquerda), "porque sabia que não havia espaço de manobra para grandes aventuras". Agora "o problema é que não permite consenso para as reformas necessárias", alerta.

 

Já quando questionado sobre o apoio da banca às empresas portuguesas, Pedro Soares dos Santos afirma categoricamente que "hoje seria impossível" replicar o que aconteceu com o próprio grupo no início deste século, quando passou por dificuldades e foi apoiado "pelo engenheiro jardim Gonçalves [à época presidente do BCP]", como fez questão de frisar.

 

Impossível porquê? "Porque hoje não há banca portuguesa, acabou", respondeu. "Agora os bancos são todos estrangeiros, vivem de rácios que são decididos fora de Portugal, nada é decidido em Portugal, temos uma CGD intervencionada", constatou.

 

Uma situação que classificou como "muito difícil para os empresários, não só ao nível do apoio como também da relação pessoal".

 

O grupo Jerónimo Martins, que é controlado em 56,13% pela sua família através da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, é dono das cadeias Pingo Doce e Recheio em Portugal, Biedronka e Hebe na Polónia e Ara na Colômbia.

No primeiro semestre deste ano, o grupo teve lucros de 180 milhões de euros, mais 3,9% do que no mesmo período do ano passado, enquanto as vendas cresceram 8,7% para 8,426 mil milhões de euros. A operação na Polónia representa 68% do negócio e 73% dos resultados.

 

 

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