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Novo Banco escolhe ex-Lloyds para substituir gestor afastado por operações suspeitas
Mark Bourke é reconduzido. Posição de “Chief Risk Officer” estava a ser desempenhada pelo CEO desde o início do ano, quando Carlos Brandão foi afastado pelo banco na sequência de operações suspeitas. Cármen Gonçalves fez carreira no Lloyds.

O Novo Banco já escolheu o nome que substitui Carlos Brandão como "Chief Risk Officer" da instituição. Cármen Gonçalves vem do AUB Group, onde estava desde 2022 e para onde transitou depois de dedicar 17 anos ao britânico Lloyds. Tanto num caso como noutro desempenhou funções com responsabilidades na área do risco. A gestora já estava no Novo Banco desde dezembro de 2024 como "Head of Global Risk Management" e sobe agora à comissão executiva.
A informação foi avançada pelo banco em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que nomeia não apenas esta gestora mas toda a nova comissão executiva para o mandato 2025-2028, o que significa uma recondução da liderança de Mark Bourke como CEO.
A equipa de gestão, que estava reduzida a seis elementos desde janeiro, volta assim a ser composta por sete pessoas, que além do presidente executivo e da nova administradora incluem o CFO Benjamin Dickgiesser, o "Chief Commercial Officer" de empresas Luís Ribeiro, o CCO de retalho João Paixão Moreira, a responsável por "Compliance" Patrícia Fonseca e o administrador com a pasta do crédito, Rui Fontes.
O cargo de CRO do Novo Banco estava a ser desempenhado pelo CEO desde o início do ano, quando a instituição destituiu Carlos Brandão, o administrador sobre quem recaíram suspeitas de operações opacas denunciadas pelo próprio banco.
Comunicado
"Carmen Garcia Gonçalves é uma executiva sénior com mais de duas décadas de experiência no sector dos serviços financeiros, com um percurso internacional consolidado, nomeadamente no Reino Unido", salienta fonte oficial do Novo Banco, acrescentando que a gestora "possui um profundo conhecimento em gestão de risco empresarial, abrangendo risco de crédito, de mercado, operacional, de liquidez e capital".
A instituição lembra que "ao longo da sua carreira, e durante 17 anos, assumiu diversos cargos de liderança no Lloyds Banking Group", depois de ter passado também pela Deloitte UK e na PwC, sempre em funções ligadas à análise de risco.
Operações suspeitas
Em janeiro, o Novo Banco destituiu "com justa causa" Carlos Brandão, que tinha a pasta do risco. Em causa estão "operações financeiras suspeitas realizadas na sua esfera pessoal", tendo o banco apresentado uma denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A decisão foi tomada no seguimento da identificação, através de processos internos do Novo Banco, "de operações financeiras suspeitas realizadas na sua esfera pessoal, as quais deram origem a uma denúncia às autoridades".