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Costa e Guterres concordam na importância de reforçar "multilateralismo"
O presidente do Conselho Europeu e o secretário-geral das Nações Unidas, os portugueses António Costa e António Guterres, apelaram esta quinta-feira em Bruxelas ao reforço do multilateralismo e à defesa da posição da ONU perante o atual cenário internacional.
"Neste mundo multipolar é cada vez mais importante reforçar os nossos sistemas multilaterais e a posição das Nações Unidas", disse António Costa, à entrada para uma reunião do Conselho Europeu com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que se encontra na capital belga.
Nas mesmas declarações, António Costa, ex-primeiro-ministro de Portugal, apelou à paz "na Ucrânia, em Gaza, no Sudão" e disse a António Guterres que a União Europeia (UE) vai continuar a apoiar a ONU. António Costa deixou ainda um agradecimento a António Guterres pelos "esforços pessoais à frente das Nações Unidas" e garantiu o apoio de Bruxelas às Nações Unidas".
"Lutar contra as desigualdades e promover a implementação do pacto do futuro, a reforma da arquitetura financeira mundial e dar seguimento ao nosso trabalho para controlar as alterações climáticas, proteger os nossos oceanos e a biodiversidade e por isso é que o trabalho com o secretário-geral é uma boa oportunidade", acrescentou.
Já o secretário-geral da ONU (também antigo primeiro-ministro de Portugal) disse que a UE é "um pilar fundamental para enfrentar os desafios multilaterais" do mundo. "Ao nível da segurança, da paz, do clima e do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos", disse.
"A União Europeia é um parceiro central e estratégico das Nações Unidas e estamos extremamente gratos pelo apoio financeiro e político às atividades das Nações Unidas", acrescentou.
Guterres também se pronunciou sobre a recente quebra unilateral do cessar-fogo na Faixa de Gaza, por parte de Israel. O acordo de tréguas, firmado com o grupo extremista palestiniano Hamas, estava em vigor desde meados de janeiro. "Estou triste e chocado por ver que a morte e a destruição voltaram a Gaza, a população palestiniana já sofreu demasiado", lamentou. O secretário-geral das Nações Unidas pediu ainda a Telavive "o respeito pelo cessar-fogo".
Os combates em Gaza cessaram em 19 de janeiro, no âmbito de um acordo de cessar-fogo negociado por vários mediadores internacionais (Estados Unidos, Qatar e Egito). Na segunda-feira, Israel rompeu unilateralmente o cessar-fogo, atacando vários alvos que alega pertencerem ao Hamas. O retomar da ofensiva israelita já provocou várias centenas de mortos.