Notícia
Desafio à inércia é importantíssimo em Portugal
As palavras são de Jorge Sampaio, que encerrou a 1ª Assembleia Geral de Investidores Sociais, promovida esta 2ª feira em Lisboa no âmbito do aniversário da Bolsa de Valores Sociais.
18 de Novembro de 2010 às 17:31
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A Bolsa de Valores Sociais (BVS), iniciativa que replica o ambiente de uma Bolsa de Valores em benefício de Organizações Sociais, angariou 250 mil euros no seu primeiro ano de actividade. A iniciativa apoiada pela Euronext Lisbon, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação EDP e Caixa Geral de Depósitos não conseguiu, através das “acções sociais” adquiridas pelos doadores nos 22 projectos actualmente cotados, atingir a meta inicialmente traçada: angariar quinhentos mil euros em 2010. Estes resultados ficam, pois, abaixo das expectativas desta que é a segunda Bolsa de Valores Sociais do mundo e a primeira da Europa (inspirando-se na original BVS criada em 2003 no Brasil, para a BOVESPA e constituindo um piloto para as demais Euronext, em Amesterdão, Bruxelas, Paris e Nova Iorque), o que não permitiu a nove das 22 organizações cotadas arrancarem com os seus projectos.
Apesar de a implementação da BVS em Portugal ter ficado "abaixo dos objectivos" definidos para este primeiro ano, o seu presidente defende que existe também um "balanço positivo" a fazer: "temos hoje registados no site 679 investidores sociais particulares e seis empresas, num ano bastante difícil para a sociedade". Acresce que o conceito inovador de uma iniciativa social que replica o ambiente de uma Bolsa, com acções cotadas, é ainda desconhecido por terras lusas, suscitando alguma desconfiança. Daí que um dos objectivos para o próximo ano seja apostar mais na comunicação do projecto, divulgando-o aos quatro ventos.
Afinal, e como sublinha o antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, estamos perante “uma ideia genial e progressista”, factor essencial para a “centralidade do contrato social, que deve unir os cidadãos em torno de um projecto de partilhado”. No encerramento da 1.ª Assembleia Geral de Investidores Sociais, o actual Alto Representante da Aliança das Civilizações lamentou que a “experiência inovadora” da BVS, “que parece fácil”, encontre ainda “muita resistência”. Na sua opinião, a “troca de valores” inerente ao conceito desta Bolsa deve assentar na premissa de que “se queremos diminuir a presença do Estado, temos de aumentar a presença da iniciativa privada”. Manifestando-se preocupado com o facto da adesão ao projecto ficar ainda aquém dos objectivos propostos, Sampaio deixou o alerta: “todas as pequenas contribuições são muito importantes”, até porque “há mais proximidade e maior generosidade nos meios pequenos de que nos nossos prédios”. “O desafio à inércia é importantíssimo em Portugal”, rematou.
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