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Nazaré da Costa Cabral: "Deve haver uma avaliação à TAP"
Segundo Nazaré Costa Cabral, o empréstimo do Estado à TAP representa mais uma fonte de pressão financeira. Por isso, defende a presidente da CFP em entrevista, deve ser feita uma avaliação que mostre a verdadeira situação patrimonial da companhia aérea.
"Nós neste momento estamos a fazer um processo de mudança de uma estrutura acionista de uma empresa, eu suponho que deverá ter de haver uma avaliação, obviamente, de qual é que é a situação", afirmou Nazaré da Costa Cabral, numa entrevista ao Negócios e à Antena 1, no programa Conversa Capital.
Nazaré da Costa Cabral admitiu que este é um "assunto muito sério" e que o Conselho das Finanças Públicas "está muito preocupado" com esta questão. Sem conhecer ainda o desfecho final sobre o reforço da posição acionista do Estado na companhia aérea, a economista quis deixar uma mensagem: "O Estado tem um limite de capacidade. Podemos aumentar impostos aqui e ali, podemos até criar novos impostos, mas há limites".
"Se temos de facto depois - como tivemos depois da crise financeira - tivermos exigências adicionais sobre o Estado, estamos a criar uma fonte de pressão financeira sobre o Estado que depois condicionará aquilo que vai ser a capacidade de resposta do Estado para enfrentar aquilo que são as verdadeiras necessidades", explicou.
"Temos de avaliar muito bem os impactos que isto pode vir a ter para os contribuintes. Não apenas agora, mas para os próximos anos. Senão, estamos a privar o Estado da sua capacidade de resposta para as necessidades para coisas tão fundamentais como ter hospitais a funcionar, ter médicos a trabalhar e ter uma segurança social com capacidade para responder às necessidades", descreveu.
O Governo anunciou na quinta-feira, dia 2 de julho, um acordo com os acionistas privados da TAP que vai traduzir-se na saída de David Neeleman e no reforço da posição acionista do Estado de 50% para 72,5%.
A Comissão Europeia aprovou em 10 de junho um "auxílio de emergência português" à companhia aérea TAP, um apoio estatal de até 1.200 milhões de euros para responder às "necessidades imediatas de liquidez" com condições predeterminadas para o seu reembolso.