Maria do Carmo Neves foi entrevistada por Marta Dhanis e Miguel Frasquilho.
"Estratégias claras, planeamento bem feito e o seu controlo, capacidade de criar músculo financeiro e nunca dar o salto maior que a perna. Demora tempo, mas vamos com sustentabilidade", disse Maria do Carmo Neves, CEO da Tecnimede, ao elencar os segredos da performance da empresa, na entrevista ao programa do Negócios, "Economia Sem Fronteiras", do canal Now.
A Tecnimede tem uma história que remonta a 1980, quando foi fundada por Jorge Ruas, e é uma empresa familiar, que desde o início tem uma visão de futuro. Quatro anos depois entrou para a empresa Maria do Carmo Neves, cujo papel foi potenciar a ambição e construir as bases para os grandes sonhos que o Jorge Ruas tinha. "Hoje, decorridos 45 anos, estamos muito mais amadurecidos, continuamos a ter sonhos, mas esses sonhos já chegam à discussão montados em bases", disse Maria do Carmo Neves. Sob a sua liderança, o grupo Tecnimede apostou na internacionalização e na inovação, consolidando uma presença global em mais de 100 mercados.
O início em Marrocos
Considera que a Tecnimede nasceu para ser global porque começou pela Investigação e Desenvolvimento (I&D), que "foi sempre o grande sonho". "Costumo dizer que não se internacionaliza quem quer, quem pode, que é quem faz I&D, cria produtos e diferenciação, e, com isso, fica com as ferramentas que permitem a internacionalização. Há um fator muito importante, que é que tem de estar consolidado no país, porque senão exportamos problemas e não exportamos produtos ou capacidade" refere Maria do Carmo Neves. Acrescenta que "tivemos que criar dimensão, algum volume, e só então estávamos prontos para internacionalizar".
"A internacionalização começou com uma expansão industrial para Marrocos em 1999, seguindo-se a presença em mercados como Brasil, Colômbia, Espanha e Itália. Internacionalizar é um processo muito complexo e difícil, e exige várias combinações entre os modelos teóricos ou académicos e as estratégias práticas. A estratégia que definirmos tem de ser bem avaliada, com muito critério relativamente aos mercados alvos, à estrutura que temos e ainda aos objetivos de médio e longo prazo", referiu Maria do Carmo Neves.
O desafio do Brasil
Recorda que tiveram muitas dificuldades, "não pelo mercado em si, era um mercado ainda muito virgem em termos de medicamento, sem comparticipação da parte do Estado. Mas tem uma cultura que não é fácil, mas que tivemos que assimilar e acomodar. Hoje, na Tecnimede em Marrocos, somos marroquinos". Em países como a Espanha e a Itália foi a sensação de uma empresa pequena, cujo nome não era conhecido e que entra em países com mercados grandes, "uma imensidão comparativamente a Portugal".