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"No Orçamento, uma pessoa habitua-se a dormir depressa"
"Senti pressão desde o primeiro até ao último dia", reconhece o antigo secretário de Estado, que elege a fase final de elaboração do orçamento como a mais alucinante de todo o processo.
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Além da definição do cenário macroeconómico, cabe também ao secretário de Estado do Orçamento uma boa parte da tarefa política de negociação com os ministros sectoriais para a fixação dos chamados ‘plafonds’. Fernando Pacheco confessa que "as reuniões são sempre duras", e especialmente trabalhosas em áreas como a educação e a saúde, os ministérios mais ‘pesados’, onde "qualquer derrapagem pode comprometer a execução orçamental de todo o ano". "Todas as áreas que envolvem um bolo muito grande de despesa pública são sempre mais difíceis de trabalhar", explica. E depois, claro, há a pressão. Dos outros. E do tempo.
"Os homens sem sono"
Na recta final, conta, a pressão aumenta e as alterações de última hora podem estender-se até à véspera da entrega na Assembleia da República. "Lembro-me que, num determinado ano, na véspera da entrega, o ministro das Finanças recebeu um colega do governo que queria introduzir alterações no orçamento", recorda Fernando Pacheco.
Depois de muitas directas, e outras tantas noites mal dormidas, o "momento alto" acontece depois da apresentação e aprovação do documento, porque significa que "acabou a primeira fase do processo".
"O secretário de Estado não pode tirar os olhos do Orçamento do Estado até ao dia 15 de Outubro", explica o antigo responsável. "O momento em que se respira de alívio é depois da votação final global, quando o orçamento é aprovado".