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Bruxelas ligeiramente mais otimista que Sarmento no saldo e no PIB
Novas previsões veem excedente de 0,4% do PIB e queda da dívida para 95,6% do PIB. Crescimento económico abranda, mas com revisão em alta de 1,2% para 1,7%.
A Comissão Europeia está ligeiramente mais otimista que o Governo quanto ao resultado das contas públicas deste ano, e também quanto ao desempenho da economia.
As novas previsões económicas e orçamentais da instituição, divulgadas nesta quarta-feira, antecipam que as administrações públicas possam fechar com um excedente de 0,4% do PIB na base das medidas adotadas até aqui. Isto é, sem contar com novas iniciativas do Executivo de Luís Montenegro ou outras que venham a ser decididas no seio do Parlamento.
A expetativa é a de que a procura interna - apoiada pela melhoria de sentimento económico e do rendimento disponível das famílias no investimento e no consumo privado - tenha agora uma maior contributo para o crescimento. Já na frente da procura externa líquida, a Comissão está a antecipar um contributo negativo, com as importações de bens a superarem as exportações e um aviso para o abrandamento do turismo. "O turismo estrangeiro deverá manter-se um factor importante de crescimento, embora a um ritmo mais lento do que nos últtimos dois anos", diz a Comissão.
Com impacto na arrecadação de receitas prevista em 2024,entretanto, a previsão para a inflação mantém-se nos 2,3% de média anual de subida de preços no indicador harmonizado usado para comparações europeias, o IHPC.
Além disso, o excedente projetado agora conta com o impacto das medidas adotadas pelo anterior Governo. Designadamente, a descida de IRS legislada com o Orçamento do Estado para 2024, assim como as subidas de pensões e de salários decididas até aqui.
De resto, Bruxelas está a antecipar maior subida na execução de despesa de investimento público devido à implementação do Plano de Recuperação e Resiliência e de outros programas de fundos europeus. Também os gastos com juros deverão ainda pesar mais em 2024, num quadro em que se mantêm taxas de juros elevadas.
Em contrapartida, os gastos com medidas extraordinárias de resposta à subida dos preços da energia deverão reduzir-se, como esperado, passando a pesar 0,6% do PIB (custaram ainda 0,9% do PIB em 2023, segundo a Comissão).
A documentação da Comissão não cita quaisquer riscos para o excedente agora previsto associados ao atual quadro político de um Governo minoritário, incluindo apenas entre as variáveis que poderão agravar o saldo os processos em curso para reequilíbrio financeiro nas parcerias público-privadas.
No mesmo quadro de políticas invariantes, a previsão de excedente para 2025 é de 0,5% do PIB, numa melhoria ligeira que acompanha a perspetiva de alguma aceleração no PIB - para 1,9% de crescimento - e nova redução do peso de medidas extraordinárias do choque inflacionista, que a Comissão asssume que se prolongarão em 2025. Pesarão então ainda 0,5% do PIB.
Já no que diz respeito à evolução do rácio da dívida, as previsões de Primavera hoje divulgadas admitem que este continuará a reduzir-se no curto prazo a um ritmo superior a três pontos percentuais. Para 2024, é projetada uma queda para 95,6% do PIB, seguindo-se nova diminuição até aos 91.5% do PIB no próximo ano.