Notícia
Governo calendariza plano vago de reformas até 2015
Documento que explica estratégia de crescimento de médio prazo é vago sobre as reformas mais polémicas que promete avaliar, mas calendariza várias medidas até 2015.
O Governo assumiu um novo calendário de reformas para os próximos meses onde se incluem algumas das principais medidas que vinha negociando com a troika. O compromisso, assumido num documento intitulado "Caminho para o Crescimento" apresentado no sábado, faz lembrar os memorandos assinados com a Comissão Europeia, FMI e BCE em cada avaliação, mas é mais vago na concretização de medidas, nomeadamente em algumas das áreas mais polémicas como o mercado de trabalho.
Esta foi a forma encontrada pelo Governo e pela troika – o documento fez parte do acordo da 12ª avaliação – em comunicar e comprometer publicamente o Executivo com uma agenda reformista. O trabalho, da responsabilidade de Carlos Moedas, o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, foi apresentado na manhã de sábado, 17 de Maio, após um Conselho de Ministros extraordinário por ele próprio e Luís Marques Guedes, ministro da Presidência. Nem Maria Luis Albuquerque, nem Paulo Portas estiveram presentes.
No documento (ver calendários em baixo), o Governo assume, por exemplo, criar de um "sistema de alerta precoce de acumulação de dívida empresarial" em parceria com o Banco de Portugal até Setembro deste ano, ou operacionalizar a transformação dos cortes temporários em permanentes em pensões e concluir a revisão das tabelas salariais e de suplementos no Estado até final do ano.
Em outras áreas sensíveis como a reforma da máquina do Estado ou do mercado de trabalho os compromissos são mais vagos. No primeiro caso, o PREMAC II (programa de reforma da administração central) é remetido para data "breve" da definir; e no segundo caso, as alterações são admitidas numa lógica de aperfeiçoamento decorrente da avaliação em curso de reformas.
Governo vai estudar reformas da troika
É tempo de avaliar
Mais que novas reformas, Governo compromete-se a estudar os resultados das medidas implementadas nos anos de troika para depois decidir o que fazer. "Até ao final do ano, o Governo desenvolverá um quadro de referência para avaliar o impacto das reformas estruturais e proporá uma metodologia para identificar as prioridades de reforma estrutural", lê-se no documento divulgado no sábado. A prioridade dada à avaliaçõa em detrimento de novas medidas aparece vincadas em duas áreas centrais: o mercado de trabalho e a justiça.
"A principal prioridade do Governo será agora o desenvolvimento de indicadores de desempenho para avaliar o impacto das instituições do mercado de trabalho", escreve o governo, que se compromete a "acompanhar de perto as recentes reformas do mercado de trabalho no sentido de avaliar o respetivo impacto e ajustar o que se revelar necessário".
Na Justiça, o compromisso é semelhante: "As reformas do sistema judiciário demoram algum tempo para produzir todos os seus efeitos, na medida em que requerem profundas mudanças nas práticas culturais. Mas a maioria das reformas previstas já foi executada", pelo que o "objectivo agora é identificar um conjunto mais alargado de indicadores quantitativos para avaliar o impacto das reformas e introduzir as alterações que se revelem necessárias".
Calendário de reformas
Até Junho de 2014
Revisão do Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT) e do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação (RJUE);
Continuação da renegociação dos contratos de concessão de terminais portuários com vista a aumentar a competitividade
Até Setembro de 2014
Alteração dos estatutos das associações públicas profissionais em conformidade com a nova lei-quadro das profissões reguladas;
Conclusão do sistema de alerta precoce de acumulação de dívida empresarial a desenvolver pelo Banco de Portugal;
Aprovação de um Plano de Ação para o Crescimento Verde e para a Reforma da Fiscalidade Verde;
Apresentação e operacionalização do Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação;
Criação da Rede Interministerial de Modernização Administrativa
Até Dezembro de 2014
Operacionalização do programa "Aproximar" a nível local e regional, e elaboração de propostas concretas de reorganização e racionalização;
Definição e concretização efectiva da nova tabela remuneratória única e da tabela única de suplementos remuneratórios;
Revisão do SIREVE, com o objectivo de melhorar as condições para a recuperação extrajudicial de empresas;
Conclusão dos estatutos das entidades reguladoras nacionais, em conformidade com a nova lei-quadro, incluindo os estatutos da Autoridade da Concorrência;
Aplicação da regra da comporta regulatória (one-in, one-out), e de outros mecanismos de avaliação do impacto regulatório de atos normativos, aprovados em Conselho de Ministros;
Operacionalização do novo mapa judiciário;
Operacionalização da Instituição Financeira de Desenvolvimento;
Continuação da avaliação de competências [recursos humanos] em articulação com a OCDE;
Concretização e operacionalização de medidas visando garantir a sustentabilidade do sistema público de pensões;
Em 2015
Continuação do reforço da utilização de serviços partilhados na administração pública;
Operacionalização do PGERRTIC - Plano Global Estratégico de Racionalização e Redução de Custos nas Tecnologias de Informação e Comunicação;
Aprovação da Estratégia para a Digitalização dos Serviços Públicos (incluindo objetivos de melhoria contínua até 2020);
Estudo e apresentação de um novo modelo para a consolidação de todas as prestações sociais não contributivas;
Aprovação do novo Código de Procedimento Administrativo;
Reestruturação do sector da água (já em curso)
Em curso ou a definir
Lançamento do PREMAC II - a definir
Prosseguimento dos programas definidos para facilitar o acesso ao financiamento das empresas - em curso
Concretização de um conjunto de medidas no valor global de 3,4 mil milhões de euros visando eliminar a dívida tarifária até 2020, assim como um novo pacote de medidas cujo o objectivo é a estabilização do preço da energia - em curso
Operacionalização do Plano Estratégico dos Transportes e Infraestruturas - em curso
Acompanhamento das reformas do mercado de trabalho, procedendo aos ajustamentos que se revelem necessários, nomeadamente a recentes propostas de alteração ao Código do Trabalho - em curso
Dinamização da negociação colectiva no sentido de incentivar o diálogo social - em curso
Continuação das medidas de promoção do emprego jovem - em curso
Alargamento dos contratos de autonomia a um maior número de escolas - em curso
Continuação dos esforços no sentido de melhorar o ensino vocacional e a formação profissional - em curso
Continuação da reforma hospitalar, nomeadamente da rede hospitalar - em curso