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Quando não há igualdade, “estamos a limitar o potencial de Portugal”

Quem o diz é Margarida Balseiro Lopes, que encerrou a Conferência Governança organizada esta quarta-feira pelo Jornal de Negócios. Nas próximas semanas, será apresentado plano para atrair mais mulheres para a tecnologia

Mariline Alves
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No final de uma manhã de reflexão intensa sobre sustentabilidade, no âmbito da Conferência Governança organizada esta quarta-feira pelo Jornal de Negócios, a ministra da Juventude e Modernização fez questão de lembrar a importância de "garantir que as oportunidades geradas [pela transformação] chegam a todos". "Vamos apresentar nas próximas semanas um programa nacional para conseguirmos atrair mais mulheres e raparigas para as áreas STEM", afiançou Margarida Balseiro Lopes.

O objetivo é reduzir o fosso entre homens e mulheres nas áreas tecnológicas e impedir que as profissões do futuro acentuem essas diferenças. "Isto não é só um problema de representatividade, é um problema estrutural que não pode ser ignorado", reiterou. Para o Governo, diz, é preciso criar "medidas concretas" para reduzir a disparidade nos salários. "As mulheres com ensino superior, em média, ganham quase menos 650 euros do que os homens", apontou.

Balseiro Lopes elegeu a violência doméstica como a sua "maior preocupação", não só pela natureza do crime, mas por ser também o mais registado no país. Endereçar o problema "implica investimento", mas também "um grande esforço de cooperação e diálogo de todas as áreas governativas".

Aumentar a competitividade do país passa também por resolver o desafio da fuga de cérebros para o exterior, em particular nos mais jovens que são essenciais pela "sua energia, a sua irreverência e a sua capacidade para inovar". Mais do que impedir que o talento saia de Portugal, o objetivo é criar condições para que a emigração seja uma opção e não uma necessidade por falta de oportunidades em território nacional.

"Sempre que uma mulher tem menos oportunidades para liderar, sempre que um jovem cresce sem acesso à educação, sempre que um talento é desperdiçado por falta de condições, estamos a limitar o potencial de Portugal e não podemos deixar que isso aconteça", sublinhou.

Acabar com o "labirinto burocrático"

Responsável pela modernização da administração pública, Margarida Balseiro Lopes lembrou ainda o trabalho de simplificação que o executivo tem procurado fazer em matéria de burocracia. Uma das medidas passa pela concentração dos serviços do Estado no portal único dos serviços digitais, o gov.pt, apresentado em meados do ano passado para eliminar "o labirinto burocrático" atual. "Temos mais de 1200 portais de 164 entidades públicas e 70 aplicações. Isto tem uma tradução concreta: mina a confiança dos cidadãos", lamentou.

Na senda da disrupção, o Governo está a trabalhar na agenda nacional de inteligência artificial, que deverá ser apresentada em abril depois de auscultar empresas de todas as dimensões. É preciso, diz, "garantir que o progresso tecnológico não descura o respeito pelos direitos individuais".

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