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64% das empresas do G20 estão “otimistas” sobre futuro do hidrogénio

Entusiasmo quanto ao potencial do gás renovável é mais contido na Europa e América do Norte. A curto prazo, o custo e a infraestrutura são os principais desafios identificados.

20 de Março de 2025 às 20:18
Thomas Imo/AP
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Foram auscultados cerca de dois milhares de executivos ligados ao sector da energia nos países do G20 e os resultados são claros: 77% vê os investimentos em energias renováveis como "essencial para o seu crescimento estratégico". Os dados são do quinto relatório Powering Change, da Ashurst, conduzido em outubro, mas publicado esta semana, e dão conta de "otimismo" em torno do futuro do hidrogénio verde.

"No G20, pouco menos de dois terços (64%) das organizações dizem estar otimistas quanto às perspetivas de longo prazo para o hidrogénio verde", apontam os autores. Quando a questão é sobre o potencial a curto prazo, apenas 58% dos inquiridos dizem acreditar no sucesso nesta janela temporal – entre os principais desafios, estão os custos elevados e a falta de infraestrutura.

"Os níveis de otimismo sobre o hidrogénio verde parecem ser maiores nas regiões do mundo com crescimento mais rápido do que em nações desenvolvidas", acrescenta-se no relatório. De facto, os números mostram que os inquiridos da América Latina (82%), Médio Oriente e África (75%) e dos BRICS (71%) são os mais otimistas. Em sentido contrário, encontram-se a América do Norte (44%) e a Europa (50%).

Outra das conclusões é que permanecerão "muito significativas" as barreiras à entrada neste mercado, "a menos que exista apoio governamental", como acreditam 76% dos inquiridos. Aliás, dizem mesmo que, "sem investimento substancial (...) nos próximos cinco anos", é "improvável" que seja possível atingir as metas nacionais para a neutralidade carbónica. "As empresas na Indonésia (91%), Índia (90%) e Argentina (84%) são as mais preocupadas", lê-se.

Volatilidade no compromisso ambiental

Entre as várias dimensões sob escrutínio da Ashurst estiveram os níveis de compromisso dos diferentes países em relação às metas de zero emissões. Nos Estados Unidos, registou-se um recuo de 85% para 83%, "bem acima da média de 67% do G20", mas ainda assim atrás da Coreia do Sul – desde o último relatório, de 2024, o país escalou de 75% para 91% nesta edição.

De acordo com o relatório, as organizações estão "comprometidas" em reduzir a intensidade carbónica, mas são "prudentes e seletivas sobre onde e como alocar o seu capital". No ano passado, 80% dos participantes reconheceram que a maior pressão para cortar emissões tem origem nas administrações e na concorrência.

O investimento em renováveis continua a procurar os mercados da América do Norte, Médio Oriente e América do Sul, ainda que os autores da análise perspetivem "um foco significativo" de aposta na região Ásia Pacífico nos próximos cinco anos.

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