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Os dados são ainda provisórios, mas já indicam um avanço registado em 2024 nas metas de descarbonização do Reino Unido, que anunciou ter conseguido diminuir as suas emissões de gases com efeito de estufa em 4%.
Quando comparadas com os níveis de 1990, as emissões de CO2 baixaram 54%, indica o relatório do Governo.
"A queda das emissões em 2024 deve-se, em grande medida, à redução da utilização de gás e carvão nos setores do fornecimento de eletricidade e da indústria", aponta-se. Os dados mostram que no abastecimento de eletricidade as emissões reduziram-se 15% sobretudo pela "menor utilização de gás, impulsionada por importações de eletricidade sem precedentes e pelo aumento da produção doméstica a partir de fontes renováveis".
O Reino Unido tornou-se, em setembro, no primeiro país do G7 a acabar com a produção de energia elétrica a partir do carvão, um passo que terá sido fundamental para alcançar os números agora divulgados. "Estima-se que as emissões do setor industrial tenham diminuído 9%", lê-se na mesma fonte, graças à menor utilização de carvão no setor.
Apesar de se estimar uma redução das emissões no setor dos transportes (-2%), esta continua a ser a área com maior contributo para o bolo total das emissões, representando 30%. Seguem-se os edifícios (21%), indústria (13%) e agricultura (12%). Ainda assim, as emissões recuaram 2% nos transportes devido a "uma redução na utilização de gasóleo para veículos rodoviários que superou o aumento da utilização de gasolina". Já nos edifícios, e fruto da maior utilização de gás nas residências, as emissões aumentaram 2%.
O aumento global das temperaturas foi, contudo, aliado na redução das emissões no Reino Unido. Segundo o boletim estatístico, se as temperaturas médias de 2023 e 2024 tivessem seguido o padrão habitual, seria expectável um aumento de 4% nas emissões de CO2 dos edifícios em resultado de maior necessidade de aquecimento.
Doug Parr, responsável da Greenpeace UK, citado pelo The Guardian, considerou que esta é uma "boa notícia" e uma "demonstração de que os esforços do Reino Unido para combater as mudanças climáticas estão a funcionar, apesar do que alguns políticos da direita tentam fazer acreditar". O foco, diz, deve ser a aposta no aumento das renováveis não apenas para reduzir emissões, mas também para fazer baixar os preços da energia no país.
Vale a pena lembrar que um estudo recente da OCDE e da ONU indica que, sem intervenção, as alterações climáticas poderiam significar a perda de um terço do PIB mundial até ao final deste século. Em sentido contrário, o relatório aponta que seria possível ganhar 0,23% por ano até 2040 se os países implementassem metas ambiciosas para reduzir a sua pegada carbónica.