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João Kopke, surfista, músico e contador de histórias, trouxe para a sua keynote "Ser Multi-Ser: Um Compromisso para Viver Melhor" uma reflexão profunda sobre a multiplicidade de interesses e identidades que muitas pessoas carregam ao longo da vida. "Desde sempre tive dificuldade em fazer apenas uma coisa. Fiz muitas ao longo do tempo e percebi que não estava sozinho", afirmou, explicando que conhecer outras pessoas com trajetórias multifacetadas o ajudou a compreender melhor o seu próprio percurso. Entre os exemplos que citou, destaca-se o seu pai, publicitário, escritor, desenhador e músico. "Se calhar, há mais gente a viver assim e que pode aprender alguma coisa com o nosso caminho", refletiu. João Kopke descreveu os "multi-seres" como aqueles que "não só fazem muita coisa, mas também sentem muita coisa". Uma polivalência que nem sempre é bem acolhida. "Vivemos uma verdadeira epidemia de certezas, em que nos obrigam a escolher um caminho desde cedo, muitas vezes sem sequer termos experiência suficiente para tomar essa decisão", alertou, referindo-se à estrutura do ensino e do mercado de trabalho.
"Aos 14 anos temos de decidir entre História ou Biologia, e aos 17 ou 18 escolhemos um curso que pode definir a nossa vida inteira", lamentou. Essa pressão, segundo João Kopke, leva muitas pessoas a reprimir interesses diversos e a sentirem-se "multi-frustradas".
No seu caso, a solução passou por unir o surf à narração de histórias, à sustentabilidade e à música. "Cada um tem o seu caminho, mas o importante é que, ao chegarmos ao fim da vida, não sintamos arrependimento por não termos explorado as nossas paixões", concluiu.