Outros sites Medialivre
Notícias em Destaque
Notícia

Há "muita poeira no ar". Presidente da Fed de Chicago preocupado com inflação

Austan Goolsbee mostra-se preocupado com o rumo da inflação nos EUA.

DR
  • ...

A Reserva federal norte-americana (Fed) já não está no "caminho dourado" que percorreu em 2023 e 2024, encontrando-se agora num "capítulo diferente" com "muita poeira no ar". O alerta chega do presidente da Fed de Chicago, Austan Goolsbee, em entrevista ao Financial Times.

Goolsbee acredita que as taxas de juro vão ser "bastante mais baixas" daqui a 12 a 18 meses, mas que o próximo corte deverá demorar mais tempo que o inicialmente esperado devido à incerteza económica. "Na minha perspetiva, quando há poeira no ar, esperar para ver é a melhor abordagem, quando se enfrenta incerteza", disse, ressalvando, no entanto, que "o 'esperar para ver' não é gratuito e tem um custo".

O grande sinal de alerta, para o dirigente da Fed, seriam as preocupações com a inflação - isto numa altura em que inquéritos da Universidade of Michigan revelaram que as projeções de inflação a longo prazo das famílias atingiram o nível mais elevado desde 1993.

"Se começarmos a ver as expectativas de inflação a longo prazo, baseadas no mercado, a comportarem-se da forma como estes inquéritos se comportaram nos últimos dois meses, eu veria isso como um grande sinal de preocupação", disse Goolsbee ao Financial Times.

Na semana passada, o banco central norte-americano disse estar a antecipar que seu indicador de inflação preferido, o índice de preços com despesas no consumo pessoal (o PCE), vá aumentar 2,7% este ano, contra uma previsão de 2,5% em dezembro.

Goolsbee considera que as próximas três a seis semanas serão "um período crítico [em que] vamos resolver uma série de incertezas políticas". "Quando falo com executivos aqui no distrito [do estado do Michigan], eles referem-se frequentemente ao dia 2 de abril como um ponto-chave da sua incerteza", disse o presidente da Fed de Chicago, referindo-se ao dia em que se espera que Donald Trump revele as chamadas tarifas recíprocas aos parceiros comerciais dos EUA. "Não sabem o que vai acontecer com as tarifas, não sabem qual será a sua dimensão, não sabem se haverá isenções, como se aplicariam ao setor automóvel, especialmente devido à sua integração com o Canadá e o México", comenta.
Ver comentários
Outras Notícias
Publicidade
C•Studio