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Crédito fácil cria riscos à estabilidade financeira, avisa FMI
Os riscos para a estabilidade financeira aumentaram nos últimos seis meses e podem agravar-se no futuro, devido à deterioração das relações comerciais internacionais. O crédito fácil também está a construir vulnerabilidades.
O crédito fácil está a construir vulnerabilidades para a estabilidade do sistema financeiro, como níveis elevados de dívida e avaliações de activos "esticadas", alerta o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O alerta surge no relatório de estabilidade financeira, divulgado esta quarta-feira, 10 de Outubro, no qual o FMI realça também que os riscos para o sistema financeiro global aumentaram nos últimos seis meses. E podem agravar-se fortemente se as pressões nos mercados emergentes aumentarem ou se as relações comerciais internacionais piorarem no futuro.
O director de mercados de capital do FMI Tobias Adrian disse à Reuters que os potenciais choques ao sistema podem chegar em diferentes formas, como uma inflação mais alta do que o esperado que crie um salto acentuado nas taxas de juro ou uma saída "desordeira" do Reino Unido da União Europeia.
Mas a força do impacto pode ser determinada pelas vulnerabilidades do sistema, incluindo uma subida nos níveis de endividamento não financeiro (excedendo, actualmente, 250% do PIB) e a sobreavaliação dos activos – que pode cair de forma acentuada.
"É esta interacção entre a construção de vulnerabilidades e a queda dos preços de activos que pode gerar implicações adversas para a actividade económica", disse Tobias Adrian.
No relatório, o FMI disse que o crescimento económico parece ter atingido um pico em algumas das maiores economias mundiais, mas que a diferença entre os países desenvolvidos e os mercados emergentes estava a crescer. Na terça-feira, dia 9 de Outubro, o FMI cortou as suas previsões de crescimento global devido ao agravamento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.
O FMI enumera um conjunto de outros riscos de curto prazo para a estabilidade financeira incluído a possibilidade de um "não acordo" no Brexit e preocupações renovadas de política orçamental em alguns países fortemente endividados na Zona Euro, como Itália.
"A agenda de reformas regulatórias do sistema financeiro deve ser completada e uma reversão de reformas deve ser evitada", defendeu ainda o Fundo, acrescentando que "para tratar adequadamente os riscos sistémicos potenciais, a regulação financeira e a supervisão devem ser usadas de forma mais proactiva".