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Saúde da economia dos EUA faz soar alarmes. S&P 500 e Nasdaq terminam no vermelho
A confiança dos consumidores dos EUA registou em fevereiro a maior queda em três anos e meio, deixando apenas o índice industrial Dow Jones em terreno positivo. Tesla afundou mais de 8% após vendas dececionantes na Europa, enquanto a Nvidia cedeu 2,2% antes dos resultados.
Wall Street terminou a segunda sessão da semana em terreno misto, com as ações a serem pressionadas por um relatório da confiança dos consumidores norte-americanos em fevereiro.
O S&P 500 cedeu 0,47% para 5.955,26 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite caiu 1,35% para 19.026,39 pontos, agravando as quedas de quatro dias para cerca de 5%, a maior desde o início de setembro. O industrial Dow Jones ganhou 0,37% para 43.620,97 pontos.
O Conference Board revelou esta terça-feira que o indicador teve a maior queda desde agosto de 2021. A par disso, as expectativas para a inflação nos próximos 12 meses dispararam e o motivo é nada mais, nada menos, do que os receios do efeito na economia das políticas do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Estes dados surgem depois de já os relatórios de vendas no retalho, serviços e habitação não terem animado o mercado. Aliás, os "traders" têm aumentado as apostas em cortes de taxas de juro pela Reserva Federal este ano, mesmo com as pressões inflacionistas a darem sinais de subida.
"O mercado parece estar mais preocupado com o crescimento do que com a inflação", explicou à Bloomberg Chris Verrone, da Strategas.
Os mais otimistas em Wall Street tentaram procurar um "consolo" na única área que se manteve inabalável por dois anos: as "megacaps". No entanto, o setor voltou a desiludir, pressionado pelas alegadas novas sanções de Donald Trump aos semicondutores chineses e pela dúvida se os gastos que as empresas têm feito em inteligência artificial estão a ter retorno.
Um dia antes de apresentar resultados de 2024, a Nvidia acabou a sessão a perder 2,22%. Os números da gigante norte-americana são o barómetro mais observado do "boom" da IA. Os investidores vão examinar as projeções de lucros da empresa, assim como receitas e vendas, mas também vão ouvir atentamente o que o CEO, Jensen Huang, dirá sobre as perspetivas futuras da empresa.
A contribuir para o pessimismo do setor tecnológico, a Tesla afundou 8,4%, depois de as vendas na Europa terem caído cerca de 45% em janeiro.
Para obter mais pistas sobre a economia dos EUA, o mercado espera agora pelo relatório do PCE, o índice de despesas de consumo pessoal, revelado esta sexta-feira. Este é o indicador favorito da Reserva Federal para avaliar a inflação e "dará mais indicações sobre como os consumidores se estão a sentir em relação ao poder de compra", dizem os analistas consultados pela Bloomberg.