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Galp admite vender gasolina a outros mercados se EUA impuserem tarifas

A petrolífera diz que tem capacidade para ser flexível, estando já a olhar para outros mercados alternativos de exportação. No entanto, continuar a vender aos EUA, mesmo se Trump impuser tarifas de 25%, também é uma opção em cima da mesa.

Manuel de Almeida/Lusa
25 de Março de 2025 às 16:54
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Face à ameaça de Donald Trump de começar a taxar em 25% as importações de produtos europeus para os Estados Unidos, a petrolífera Galp diz estar atenta e admite que "terá impacto", mas para já não demonstra grande preocupação. Para o outro lado do Atlântico a refinaria de Sines envia anualmente entre 1,2 e 1,5 milhões de toneladas de gasolina, cujo valor de exportação poderá vir a ser agravado em 25% caso avancem as tarifas prometidas pelo presidente norte-americano.

De acordo com Ronald Doesburg, administrador executivo da petrolífera para a área Industrial, em 2024 a refinaria de Sines produziu cerca de dois milhões de toneladas de gasolina, sendo que 50 a 60% foi exportado e o restante ficou em Portugal. Do lado das exportação, a maior fatia vai para o mercado americano, que é o maior cliente externo da Galp. "Atualmente, as nossas exportações são essencialmente para os Estados Unidos", disse por seu lado a diretora da refinaria, Cristina Cachola.  

"Os EUA têm um grande défice de gasolina", explicou o responsável durante uma visita de jornalistas à unidade industrial de Sines, esta terça-feira. Quanto às tarifas, Doesburg diz que "claro que terão impacto, isso é claro, mas podemos encontrar novos mercados para exportar gasolina, além dos EUA".

"O mercado de gasolina é global e temos de olhar para ele como um todo. Haverá sempre desafios geopolíticos, como a guerra na Ucrânia, que obrigam os mercados a mudar e ajustar-se. Podemos ser flexíveis. A empresa está constantemente a olhar para diferentes mercados, diferentes preços", disse o administrador, acrescentando que o consumo deste combustível fóssil na Europa "está estável, mas revela um ligeiro aumento".

E admitiu: "É sempre uma opção continuar a exportar para os EUA e a pagar tarifas, dependendo do valor das mesmas e das alternativas que conseguirmos encontrar. Já no passado enfrentámos outros impactos semelhantes no passado, em que tivemos de ser flexíveis também". 

Já a diretora da refinaria, Cristina Cachola, sublinhou que "a refinaria tem capacidade de se ajustar e produzir diferentes tipos de gasolinas. Se hoje o fazemos para os EUA é porque é o mercado com maior valor acrescentado para a Galp, mas há mercado em África e na América do Sul. Há vários mercados que analisamos. Pode haver um momento em que a capacidade desses mercados aumenta face aos EUA. Há vários mercados com vários preços". 

"Hoje os EUA são o mercado mais competitivo, o que não quer dizer que com as tarifas não continuem a ser", sublinhou.  

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