Outros sites Medialivre
Notícias em Destaque
Notícia

Declarada insolvente empresa ligada a pai de Villas-Boas. 500 trabalhadores em risco

Schmidt Light Metal, de Oliveira de Azeméis, criada em 1989, que fornece a indústria automóvel, foi declarada insolvente pelo Tribunal de Aveiro, estando a decorrer o prazo para a reclamação de crédito.

Schmidt Light Metal Filipe Villas-Boas
D.R.
31 de Março de 2025 às 20:40
  • ...

A Schmidt Light Metal, empresa de fundição injetada, em Oliveira de Azeméis, ligada a Filipe Villas-Boas, pai do presidente do F.C. Porto, André Villas-Boas, foi declarada insolvente pelo Tribunal de Aveiro, estando em risco cerca de 500 postos de trabalho.

Villas-Boas foi administrador, até junho de 2023, quando renunciou ao cargo, segundo dados da Informa D&B consultados pelo Negócios, à luz dos quais, em outubro do mesmo ano, detinha 10,95% do capital.

O Negócios não conseguiu confirmar, porém, se Filipe Villas-Boas ainda mantém uma participação.

O agora líder dos azuis e brancos afirmou, numa entrevista ao Azeméis.net, em 2022, que o pai ainda era sócio minoritário da empresa, em cuja fábrica relatou ter trabalhado, nas férias, entre os 13 e os 15 anos, como "castigo" pelas más notas.

De acordo com a informação disponibilizada no portal Citius, a empresa foi declarada insolvente na semana passada e "o prazo para a reclamação de créditos foi fixado em 30 dias", podendo depois ser aprovado plano de insolvência com vista ao pagamento dos créditos sobre a insolvência, a liquidação da massa e a sua repartição pelos titulares daqueles créditos e pelo devedor.

Entre os credores identificados estão o Novo Banco, o BPI, o IAPMEI, a Scalabis e a Servdebt.

De acordo com o administrador de insolvência, Jorge Calvete, a empresa de Oliveira de Azeméis, criada em 1989, fornece a indústria automóvel com componentes em alumínio fundido a alta pressão e tem como cliente único o grupo Volkswagen.

Os credores da empresa SLM - Schmidt Light Metal e DMM - Desenvolvimento, Maquinagem e Montagem, do mesmo grupo de Oliveira de Azeméis, têm até 27 de abril para reclamar judicialmente os respetivos créditos. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústria Transformadoras, de Energia e de Atividades de Ambiente do Centro-Norte (SITE-CN), o prazo resulta da insolvência declarada na passada sexta-feira pelo Tribunal de Aveiro, em resposta a um segundo Pedido Especial de Revitalização pela referida marca de fundição injetada, a SLM.

"A insolvência é para as duas empresas, porque a DMM é do mesmo grupo, e o caso tem alguns anos, porque em 2023 eles já pediram um Processo Especial de Revitalização [PER]. Nessa altura foi aprovado um período de carência de seis meses, para o administrador judicial tentar arranjar um comprador para a fábrica, mas ele não encontrou interessados", explicou à Lusa o coordenador sindical Justino Pereira.

Desde essa altura, o processo tem-se "arrastado devido a vários entraves", nomeadamente a contestação do PER inicial por parte de alguns credores, "sobretudo trabalhadores" que queriam ver acauteladas as suas indemnizações em caso de encerramento da produção. "Entre avanços e recuos", passaram-se assim dois anos "em que o estado da empresa se foi agravando", indicou.

Justino Pereira diz, contudo, que o problema "não é falta de encomendas", uma vez que, embora tendo no grupo Volkswagen o seu único cliente, desde 2023 "os trabalhadores nunca estiveram parados e até fizeram horas extras". Para o sindicalista, a dificuldade é mesmo a "tesouraria corrente", já que antigas dívidas a fornecedores "vão-se arrastando e acumulando juros", pelo que, mal a empresa recebe algum pagamento, "o dinheiro volta a sair de imediato e assim nunca há 'cash-flow'" estável e regularizado.

Entre SLM e DMM, a situação afeta cerca de 500 funcionários, para com os quais o grupo "tem todos os salários em dia". Em situação diferente estão credores como o Novo Banco, o BPI, o IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, a Scalabis e a Servdebt.

"Com a declaração de insolvência, a expectativa do grupo é que a banca e outros credores lhe perdoem parte da dívida. Isso pode fazer a diferença, já que, em termos de trabalho, a marca tem 'know-how' e está sempre com encomendas", refere Justino Pereira.

Segundo dados institucionais da SLM, produz em média seis milhões de peças por ano. Dos 16 milhões de automóveis fabricados anualmente na Europa, "20% desses carros" têm peças do grupo de Oliveira de Azeméis.

A Lusa tentou ouvir a empresa, mas não houve resposta aos contactos.

Ver comentários
Saber mais economia negócios e finanças empresas indústria metalurgia Schmidt Light Metal Villas-Boas
Outras Notícias
Publicidade
C•Studio