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Scholz apoia Canadá e avisa EUA que Europa estará unida numa guerra comercial

Scholz sublinhou que a União Europeia utiliza os seus instrumentos para proteger as indústrias "contra a concorrência desleal e as distorções do mercado, bem como contra os direitos aduaneiros injustificados dos EUA".

O governo alemão, liderado por Olaf Scholz, receia que a paragem de 10 dias do Nord Stream se torne permanente.
Leonhard Simon /EPA
30 de Março de 2025 às 21:25
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O chanceler alemão, Olaf Scholz, declarou este domingo apoio ao Canadá na guerra comercial e crise diplomática iniciada por Donald Trump, acrescentando que a Europa responderá unida contra "direitos aduaneiros injustificados" dos Estados Unidos.

"Estamos do vosso lado. O Canadá não é um Estado federal de ninguém. O Canadá é uma nação orgulhosa e independente. O Canadá tem amigos em todo o mundo e, especialmente, muitos deles aqui na Alemanha e na Europa", disse Scholz no seu discurso de abertura da Feira Industrial de Hanôver, onde o Canadá é este ano o país convidado.

Scholz recordou a viagem realizada há três anos para convidar o Canadá para a feira de 2025, numa altura em que "ninguém previu as circunstâncias" em que agora se realizaria a reunião em Hanôver, no noroeste da Alemanha.

Este domingo manifestou o seu apoio ao Canadá e aos "queridos amigos canadianos" e lembrou que são muitos os que estão preocupados com a atual situação geopolitica.

Scholz revelou ainda que raramente ouviu tantas mensagens políticas numa cerimónia de abertura da Feira de Hanôver como aconteceu domingo à tarde, referindo que "as realidades geopolíticas estão a afetar fortemente a economia global, o comércio e as cadeias de abastecimento, os investimentos e as tecnologias".

"Mais incerteza e mais imprevisibilidade, mais direitos aduaneiros e mais fragmentação: isto também não é um bom presságio para a grande maioria das empresas. Mas estou convencido de que não estamos indefesos face a estes desenvolvimentos", afirmou.

Scholz sublinhou que a União Europeia utiliza os seus instrumentos para proteger as indústrias "contra a concorrência desleal e as distorções do mercado, bem como contra os direitos aduaneiros injustificados dos EUA".

"Um olhar sobre os mercados e os preços mostra que não somos nós que estamos no caminho errado com a nossa política aduaneira", disse, defendendo que "as guerras comerciais não podem ser ganhas, nem mesmo pelos Estados Unidos" e que acabam por "empobrecer todos os envolvidos".

Apesar de garantir que "o objetivo da Europa continua a ser a cooperação", o chanceler admite que poderá haver uma mudança: "Se os Estados Unidos não nos deixarem outra opção, como no caso das tarifas sobre o aço e o alumínio, nós, enquanto UE, reagiremos unidos", afirmou.

O lema da política comercial europeia é: "estamos abertos, mas não somos ingénuos", sublinhou. 

Também a Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, recordou o poder de mercado da Europa, com os seus 450 milhões de cidadãos, os 27 países que compõem a UE e os mais de 70 países e regiões do mundo com os quais tem acordos comerciais, e as centenas de milhares de empresas, como as do Canadá, que "continuam a optar pela cooperação e pela partilha de empregos".

 

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