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Finanças sustentáveis são aspeto crítico nas estratégias de sustentabilidade

As empresas têm um papel crucial na transição para um mundo mais verde, tanto como motores impulsionadores da economia, como por assumirem igualmente o papel de protagonistas nesta transição. Nesta transformação, as finanças têm de estar alinhadas com as estratégias sustentáveis das empresas.

25 de Outubro de 2021 às 15:30
Diana Ramos, diretora do Jornal de Negócios, Paula Guerra, diretora financeira da EDP, e Alexandre Scarlet, CFO da Allianz Portugal
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No segundo painel da talk organizada pelo Jornal de Negócios, a 21 de outubro, sob o mote "Finanças Sustentáveis - Boas práticas compensam", foram debatidas as finanças sustentáveis alinhadas com as estratégias das empresas. O debate contou com a participação de Paula Guerra, diretora financeira da EDP, e de Alexandre Scarlet, CFO da Allianz Portugal, e teve a moderação de Diana Ramos, diretora do Jornal de Negócios.

"As finanças sustentáveis são hoje e cada vez mais um aspeto crítico para incentivar e acompanhar as empresas na implementação de uma estratégia de sustentabilidade", referiu Paula Guerra no arranque do debate, citando o caminho que a EDP tem vindo a trilhar: "A estratégia de sustentabilidade da EDP antecedeu a estratégia de finanças sustentáveis. É um grupo que há muito tempo se coloca nas energias renováveis. Nós fomos, ainda no século passado, grandes investidores em energia hídrica; no início deste milénio apostámos, e muito, nas energias eólicas; mais recentemente no solar; e começamos agora também a entrar na fileira do hidrogénio."

Neste crescendo de nível de sustentabilidade dentro do grupo, a parte das finanças sustentáveis acabou por nascer como uma consequência nesta política de sustentabilidade, explicou. "Fizemos a nossa primeira emissão de obrigações verdes (green bonds) em outubro de 2018. Portanto, nesse sentido não fomos pioneiros nesta área de finanças sustentáveis. Mas é algo que se encaixa perfeitamente e hoje em dia faz parte da génese do grupo. Desde essa altura todas as nossas emissões têm sido verdes e focadas no financiamento de projetos eólicos e solares, que é aquilo em que o grupo tem vindo a apostar."

Como representante de uma seguradora, Alexandre Scarlet destacou o papel desta indústria tomadora de risco no caminho para a sustentabilidade: "Desde os primórdios das decisões e discussões ao nível das Nações Unidas e da Comunidade Europeia, houve sempre intervenção ativa e direta de players mundiais do setor segurador, do qual a Allianz também faz parte." Portanto, "é um papel fundamental, desde logo pelo perfil de investidor de longo prazo que a indústria seguradora habitualmente assume. Não poderíamos deixar de ser uma parte ativa no caminho de transição, que está no âmago das nossas estratégias, discussões e pontos de análise no futuro próximo".

Os green bonds como veículos para a transição

Em discussão esteve também as vantagens para as empresas de se financiarem no mercado das finanças sustentáveis. Paula Guerra recordou a primeira emissão de green bonds da EDP, quando o objetivo era dar a conhecer melhor a investidores a estratégia de sustentabilidade do grupo. "Foi um veículo de divulgação da estratégia de sustentabilidade do grupo. Não esperávamos que daí resultasse nenhum ganho financeiro", contou. Porém, desde então, a situação alterou-se: "O mercado evoluiu substancialmente. Estava a ver um estudo recente que refere que todas as emissões sustentáveis este ano já ultrapassaram os 300 mil milhões de euros. Portanto, nos três primeiros trimestres deste ano, ultrapassámos mais do dobro a totalidade do ano de 2020, sendo que em 2020 já tinha sido ultrapassado o ano anterior. E aquilo que reparamos é que efetivamente quem emite green tem aqui alguma vantagem em termos de custo de financiamento e do cupão que alcança. Portanto, efetivamente, hoje há uma vantagem para quem consegue colocar em mercado e cumprir todas as regras e características de uma emissão sustentável, seja um green bond ou um sustainability-linked, enfim, os vários instrumentos que existem. Portanto, a EDP hoje beneficia disso."

A questão levou à introdução do tema da taxonomia para trazer transparência ao mercado. Alexandre Scarlet referiu que "o que a taxonomia vem trazer é permitir que o investidor fique cada vez mais informado daquilo que tem como opções para poder escolher o âmbito de investimento que quer fazer no verde". Portanto, "há um caminho a evoluir do ponto de vista regulatório e de políticas que, de alguma forma, tragam mais transparência ao investidor comum, para que estas escolhas possam ser feitas com critérios cada vez mais relevantes no que diz respeito à transição energética, à transição climática e sobretudo àquilo que é a passagem do brown para o green".

Por fim, foi salientado que encontrar standards que permitam comparações justas e acompanhar toda a regulação que vai surgindo neste âmbito serão também desafios que as empresas terão de enfrentar neste processo de transição que se pretende rápido.
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