Notícia
O futuro exige um modelo de desenvolvimento sustentável
Todos parecem saber o que vai acontecer se nada mudar. Mas será que alguém se interessa pelo caminho certo?
08 de Junho de 2012 às 09:00
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Um dos nossos principais erros foi termos crescido muito. Em 2050 iremos ser 9 mil milhões e precisar de muito mais recursos. Ou seja, vamos consumir mais, até porque cada ser humano tem a ambição de uma vida melhor e, com a emergência de países como Brasil, China e Índia, para além das previstas para a África do Sul e Indonésia, haverá mais gente com mais dinheiro e vontade de ter mais conforto em casa, e usufruir desde o simples frigorífico ao computador portátil.
Para resolver o caminho já soluções apontadas. Mas ainda não há uma resolução que envolva indivíduos, governos, empresas e outras organizações, para que os próximos passos sejam dados a pensar na sustentabilidade do planeta e na sua viabilidade para o futuro. Pelo menos uma que tenha sido realmente que efectiva. Será que a Cimeira do Rio+20 vai mudar alguma coisa? Temos de ser positivos e esperar que sim, até porque é absolutamente necessário que isso aconteça.
Com temperaturas muito mais elevadas, alterações do clima, menor disponibilidade de água potável e uma biodiversidade a decrescer, o nosso futuro não é muito agradável.
As respostas para as mudanças climáticas devem-se concentrar cada vez mais na redução da emissão de gases com efeito de estufa, para evitar principalmente a ocorrência de efeitos que não poderemos gerir. Também na melhor gestão possível dos impactos actuais.
O futuro passará por cada um de nós diminuir a sua pegada ecológica. É preciso, por isso, estarmos cada vez mais atentos no nosso dia-a-dia. Pequenos gestos como o fechar a água do duche para ensaboar, desligar as luzes, ou escolher electrodomésticos energeticamente mais eficientes, contribuem para isso, tal como o poderá fazer a melhoria dos serviços prestados pelos estados e empresas, alguns deles pouco eficientes e de custo demasiado elevado. Basta lembrar que 40% da água tratada se perde, em Portugal, na rede de abastecimento até chegar aos locais de consumo.
Mas também é necessária a transição para o consumo de energias mais limpas, um melhor uso e melhor gestão da água, a redução de perdas na sua distribuição, e muito maior atenção para a biodiversidade.
Sem ela e tudo o que oferece e ainda pode proporcionar, a humanidade corre o risco de perder a corrida. A gestão dos ecossistemas terrestres é, assim, cada vez mais necessária. São pólos de adaptação em relação às alterações climáticas e mitigadores de carbono. Talvez por isso, a publicação Stern Review on the Economics of Climate Change recomende que os governos desenvolvam políticas proteger as florestas e restantes espaços naturais, que contribuem para a regulação do ciclo da água, a protecção de solos e zonas costeiras contra a erosão e os seres humanos com desastres naturais.
As áreas da Natureza protegidas do planeta armazenam actualmente 15% do carbono terrestre, fornecem serviços dos ecossistemas, incluindo o contributo para o nosso bem-estar e para a retenção no solo e subsolo da água necessária para a vida.
Sem o investimento que continua a ser feito em áreas protegidas naturais ou plantadas pelo homem, a situação seria certamente pior. Portugal, onde a maior parte do território é floresta plantada, é um dos países da Europa onde a biodiversidade é mais elevada. É também dos que tem maior percentagem do território em rede Natura.
O aumento de investimentos realizados através de parcerias entre governos, comunidades, organização não governamentais e empresas, pode assegurar uma maior protecção dos serviços essenciais prestados pelas áreas protegidas, até porque resultam. Um relatório recente do Banco Mundial mostra a forma como as áreas tropicais protegidas, especialmente as que são conservadas pelos indígenas, perdem menos floresta do que outros sistemas.
Mas estes benefícios para o clima, biodiversidade e sociedade são muitas vezes esquecidos ou ignorados. À medida que entramos numa fase sem precedentes das negociações sobre o clima e a biodiversidade, é importante não esquecer o papel das áreas protegidas.
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Exemplos de uso e protecção
- 33 das 105 maiores cidades do mundo captam a sua água em áreas florestais protegidas.
- 112 estudos sobre áreas marinhas protegidas verificaram que elas aumentaram de tamanho e a sua população de peixes cresceu.
- A protecção dos recifes de corais no Quénia está, não só a melhorar a sua conservação, mas também a pesca local, contribuindo para aumentar o rendimento per capita dos pescadores.
- Em Kimbe, Papua Nova Guiné, está a ser criada uma zona marinha protegida, gerida localmente, para ajudar os habitantes do litoral, conservar os recifes de coral e assegurar a disponibilidade de alimentos.
- Mais de 100 estudos sobre áreas protegidas identificaram parentes silvestres de culturas importantes.
- O santuário colombiano de Alto Orito Indi-Angue foi estabelecido explicitamente para proteger plantas medicinais.
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O que é a economia verde O que é economia verde?
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